Por: Hugo Fralodeo
“Estou doidinho para colocar o Bernard. Nossa Senhora! Que alegria nas pernas tem aquele guri!” – exclamou Felipão em coletiva anterior à partida contra a Itália, que fecharia o grupo A da extinta Copa das Confederações, em junho de 2013, na Fonte Nova.
Antes de chegarmos a tal ponto da história, precisamos contextualizar os motivos para a célebre frase, que viria a ser recuperada diversas vezes e eternizada pouco mais de um ano depois.
Bernard Anício Caldeira Duarte, mineiro da capital, passou a integrar as categorias de base do Atlético em 2008, aos 16 anos, no juvenil. Dois anos depois, o meia-atacante foi emprestado ao Democrata de Sete Lagoas para a disputa do Módulo II do Campeonato Mineiro. Em ‘Seven Lakes’, Bernard se destacou, marcando 14 gols e ficando com a artilharia da competição.
Desempenho suficiente para chamar a atenção de Dorival Júnior, comandante do Atlético à época, que lhe concedeu as primeiras oportunidades no grupo principal, em 2011, enquanto variava entre o futebol profissional e o sub-20, onde se tornava cada vez mais decisivo.
O menino teve algumas chances com Dorival, mas foi nas mãos de Cuca que Bernard se tornou peça importante na reta final do Brasileirão de 2011, sendo alçado à condição de próxima grande revelação do Galo, chegando a integrar a pré-lista de convocados para os Jogos Olímpicos de 2012.
Bernard começou 2012 como terminou 2011, voando. Foi decisivo na conquista do estadual e iniciou o Brasileirão protagonizando lances que, inclusive, rodaram o mundo.
Como sabemos, o melhor ainda estava por vir. Revelação do Campeonato Brasileiro de 2012, parceria infernal com Ronaldinho, Diego Tardelli e Jô para garantir a melhor campanha da fase de grupos da Libertadores de 2013 e a convocação para a Copa das Confederações citada no início da prosa. Na competição teste para a Copa, Bernard jogou aquele jogo contra a Itália e também entrou bem na partida seguinte, em seu quintal de casa, no Mineirão, na vitória para cima do Uruguai.
Bernard tinha alegria nas pernas, era decisivo, campeão da Libertadores com o Galo e disputado no mercado. Pouco mais de um ano depois viria a ser o jogador mais jovem entre os 23 convocados de Luís Felipe Scolari para a Copa do Mundo de 2014, jogada no Brasil.
Antes da Copa, Bernard acumulava 11 jogos com a Amarelinha, sendo nove em amistosos e os dois pela Copa das Confederações. Na estreia, contra a Croácia, Bernard realizou o sonho de milhões de garotos como ele. Aos 23 minutos do segundo tempo, como caprichosamente o destino já aprontava, o menino substituiu Hulk, que viria a fazer história onde Bernard se criou, sete anos depois. Após cinco dias, Bernard teve um tempo inteiro em campo, atuando os 45 minutos derradeiros do empate com o México, ainda pela fase de grupos.
A história já está contada. Alguns acreditam que Bernard teve até sorte, outros que o menino da Cidade do Galo foi a maior vítima de Felipão. A única certeza é que o garoto que tinha a tal alegria nas pernas foi um dos grandes protagonistas de uma das mais emblemáticas partidas e um dos maiores momentos de toda a história do esporte, não só do futebol.
Quando Neymar, o principal jogador brasileiro e maior esperança para deixar a taça no Brasil, se lesiona nas quartas de final, em meio a todo o clima de tensão e incerteza, o escolhido para substituir o camisa 10 do hexa foi o menino com alegria nas pernas. Segundo Felipão, Bernard era o jogador do grupo com maior possibilidade de substituir Neymar, muito por conta de suas características de velocidade, drible e o jogo vertical. A ideia de Felipão era colocar a alegria de Bernard para incendiar o jogo. Na cabeça do técnico pentacampeão, inclusive, pela partida contra a Alemanha acontecer no Mineirão, o salão de festas do menino, torcedores do Atlético presentes poderiam ter mais ânimo com a entrada do seu craque, tendo mais ímpeto na torcida pela Seleção.
O fatídico 7×1 foi a última das 14 partidas de Bernard pela Seleção Brasileira. Um ano antes, em agosto de 2013, Bernard se despedia do Atlético, fazendo sua última partida (até então) contra o CAP, no Independência, quando tornou-se a maior venda da história do clube.
Ao se despedir, o emocionado garoto prometeu voltar ao Atlético para continuar sua história que, na data de hoje, tem 100 jogos, 22 gols, dois títulos Mineiros (2012 e 2013) e a Copa Libertadores da América (2013).







