Quando se erra (muito) mais do que se acerta, não, o time não está jogando bem
Por: Hugo Fralodeo
Pois é, quase 35 mil Atleticanos, Atleticanas e Atleticaninhos foram ao Mineirão para tentar empurrar o Atlético para a vitória. Tudo bem que era feriado, mas, às 17 horas de uma quarta-feira…. A nossa parte fizemos, não foi por falta de “vai pra cima deles, Galô!”. E não deu. Empate frustrante, num jogo que parecia o mesmo ‘mais do mesmo’ que a Massa vem engolindo seco já há um bom tempo. O apito final soou e o incentivo virou cobrança, claro! Somos movidos a paixão, mas, há certos momentos em que o torcedor tem a razão.
Para tentar (pela sétima vez desde que chegou) explicar o que aconteceu, Cuca, mais uma vez, viu “muita evolução hoje (ontem) no jogo jogado, não teve evolução no resultado final”. O comandante disse ainda que é difícil entender o que está acontecendo. Pois bem, alguns pontos dá para explicar. Primeiro de tudo, quando um time erra MUITO mais do que acerta, ele não está jogando bem. Apenas criar (na maioria das vezes, ‘mal criar’) e desperdiçar, como Cuca e os próprios jogadores têm dito, não significa evolução. Isso já estava acontecendo antes, o que mudou?
Um time que chutou 180 vezes e acertou o alvo em apenas 28% das vezes (51 chutes no gol) nas 9 partidas que Cuca dirigiu desde que retornou, não está chutando bem, não está apresentando evolução e não está melhor no “jogo jogado”. A finalização faz parte do jogo, o gol é o objetivo, portanto, se apenas 5% das suas finalizações se tornam gols, não importa o tal do jogo jogado, ganha quem acerta mais vezes a casinha, e o time continua chutando mal. Pelo menos lidera um quesito no campeonato, é o time que mais chuta para fora. Mais além, se o time desenvolve uma jogada e erra o último passe, como aconteceu por diversas vezes no último jogo (inclusive, quando a defesa adversária se encontrava desorganizada), são mais erros evidenciados. Evolução? Não, o Atlético foi o líder em acerto de passes do Brasileirão por muito tempo. Involução.
E Cuca usa o fator emocional para tentar explicar tais falhas. Usou o primeiro grande lance de perigo da partida, onde o apitador não marcou falta quando Ramon bateu a carteira de Ademir – MAIS PRÓXIMO DO MEIO CAMPO DO QUE DA ÁREA DE EVERSON – e serviu Alerrandro, que parou na grande intervenção do goleiro do Galo. Cuca deu esse lance como exemplo para destacar que o emocional dos atletas está fragilizado, dando a entender que qualquer estouro de balão assusta os jogadores, que, mesmo que o VAR corrigisse um eventual gol mal marcado, os jogadores sentiriam. Cara, o que a Massa tava fazendo nas arquibancadas?! Se bem me lembro, logo após esse lance, a cambada passou a cantar ainda mais alto. Foi pouco depois desse lance que o Atlético abriu o placar. O grande problema que vi ali não foi a possibilidade de um ‘ameaço’ derrubar o psicológico dos atletas, o que vi foi uma tremenda falta de cobertura quando o time avançava em transição, foi esse erro que vi. Involução.
Aliás, depois que o time sofreu o gol de empate, se eu não estou ouvindo mal, a Massa cantou na mesma altura que comemorou o gol de Ademir. Como o emocional do jogador é abalado com 35 mil vozes tentando incentivá-lo?!!!
E Cuca argumenta: “Vontade não está faltando para ninguém. Concentração não está faltando para ninguém”. Não estou aqui com este fim, nem sou capaz de ‘analisar’ vontade, mas o jogo eu posso analisar. Concentração faltou quando uma bola foi elevada por um zagueiro, em situação de intermediária, com marcação frouxa, conseguindo alçar a bola para o lateral-direito, que passou às costas do nosso ponta-esquerda, bola que foi colocada entre a marcação do nosso lateral-esquerdo e do nosso quarto-zagueiro, que bateram cabeça, sendo facilmente enganados e batidos na jogada. Olha a falta de concentração aí. Pois, se isso não é uma falha, se isso não é um cochilo, se houve concentração ali, o problema é maior do que Cuca, eu, ou qualquer pessoa tente explicar.
E parece que Cuca se esquece, ou ele tem mesmo a falsa realidade de que algo está em modo crescente. No jogo passado, eu vi o Atlético-GO atacar o jogo inteiro nas falhas de cobertura do lado esquerdo. Dudu, lateral-direito, fez do espaço entre Keno, Arana, Allan e Alonso quase seu latifúndio. O gol do Bragantino saiu justamente nesse espaço que Dudu avia aberto no jogo passado.
Mas há um ponto. Que o Atlético fez um primeiro tempo medíocre no domingo, abrindo o placar em um lampejo de Keno (que jogou mal a maioria das duas partidas) e conseguiu jogar quando passou a explorar as falhas gritantes do vice-lanterna do Brasileirão, fica esquecido pelo resultado. Que contra o Bragantino a bola chegava ao lado, parava ali, o ponta tocava para o lateral, que tocava de volta para o ponta, que era lento na tomada de decisão, então a marcação chegava e encaixava, e aí a bola era levantada na área e aí sim surgiam as finalizações ERRADAS que “não mataram o jogo”, ficam marcadas pelo resultado que não veio. Eu estou aqui para lembrar que isso aconteceu em um empate e em uma derrota. Aconteceu em casa e aconteceu fora. Aconteceu contra o Inter, contra o Athletico-PR, duas vezes contra o Palmeiras, contra o Goiás, contra o Coritiba, contra o América, contra o Atlético-GO e aconteceu contra o RB Bragantino.
Não é possível que eu esteja vendo demais, não é possível que eu esteja procurando falha onde não há, não é possível que um time que tem duas vitórias, quatro empates e três derrotas nos últimos nove jogos, tenha evoluído. Não é possível que eu (e boa parte da Massa) esteja vendo de menos. Não é possível que um grupo não consiga corrigir seus erros com seguidas semanas ininterruptas de trabalho, onde o objetivo é justamente consertar o que está acontecendo de errado.
Não é possível que tenha que se bater na tecla do “trabalho”, “psicológico”, “não está dando”…. Quando somos obrigados a ver times com menos estrutura, menor investimento e, com todo respeito, menor qualidade que o nosso, chegando a finais, disputando títulos, brigando de verdade para estar na próxima Libertadores, enquanto o nosso time fica tentando explicar os motivos de ficar seis jogos, onde a Massa apoiou até o apito final, sem vencer no Mineirão. É uma vergonha mesmo. É uma vergonha para nós. É uma vergonha saber que um time pode dominar o Palmeiras por 70 minutos e sair morto do Mineirão. Aí, o time renasce, mas é de novo uma vergonha ver o time jogando melhor no Allianz Parque e ser eliminado daquele jeito. É uma vergonha ser “ensinado” pelo treinador adversário. Essa foi a última vez que o Atlético jogou bem em algum momento dos últimos 9 jogos. De lá para cá, são 6 jogos. Me desculpe, mas não houve evolução.
É uma vergonha. Repito, é uma vergonha para nós, para a Massa. Não parece haver vergonha em falar que isso, ou pelo menos parte disso, está bom. Não somos nós que temos que corrigir algo, a nossa parte está sendo feita. É mesmo uma vergonha o que estamos sentindo. E pode até mesmo ser uma evolução que temos visto, uma evolução carnavalesca. O Atlético passa pelo público de uma forma regular. Nesse quesito, o Galo é nota 10, evolui demais, passa sem buracos pela avenida. Está cumprindo o ciclo a risca: Erra, falha, não vence, não consegue explicar, erra, falha….
Não, o Atlético não está jogando bem.
*Este texto é de inteira responsabilidade do autor, e não reflete, necessariamente, o pensamento do Fala Galo.*
*Foto: Pedro Souza/Atlético