Por Jonatas Berto
O time sub-20 do Atlético garantiu, nesta semana, o retorno à Série A do Campeonato Brasileiro. Apesar da derrota por 2 a 1 para o Ceará, o time mineiro selou o acesso por ter a terceira melhor campanha geral da competição. Mesmo com o objetivo cumprido, no entanto, o Galinho ficou de fora da final da segunda divisão – fato que merece uma análise contundente.
No texto, vamos destrinchar a campanha dos Crias do Galo, os vários pontos positivos a se observar, mas os também numerosos pontos de atenção. Afinal de contas: o Galo não conseguiu chegar à final de uma Série B de base, e este fato não pode ser normalizado.
Atacantes se destacam
O time sub-20 tem uma concentração interessante de bons centroavantes. São eles Lucas Louback, Jonatas e Jota Teixeira. Louback, sempre confiável, marcou o gol solitário do Galo contra o Ceará. Jonatas e Jota são mais “centroavantões”, mas ainda assim conseguem alinhar a presença de área com boas movimentações fora dela.
Nos lados do campo, Mosquito e Ronaldo deixam o torneio nacional em momento de evolução. É bem verdade que ambos devem evoluir mais, mas já são capazes de gerar jogo com perigo, alternando entre esquerda e direita, e fechando a área para finalizar. Destaque para Ronaldo, que, junto com Jonatas e Louback, foi o artilheiro do clube no Brasileiro. Ambos marcaram três gols.
Marcação e Momento Defensivo
O Atlético demonstrou muita dificuldade para parar os seus adversários, mesmo que a defesa tenha sofrido poucos gols. A questão aqui não é a zaga, ou um jogador em individual, e sim o momento defensivo. Por vezes, o time ficava longos períodos com a posse de bola, não conseguia finalizar, e via o adversário precisar de poucos segundos para contra-atacar com perigo. Contra o Ceará, por exemplo, a equipe teve muitos problemas para marcar no meio, e sofreu dois gols nas beiradas do campo.
Seja um problema de organização, concentração, ou até físico: o Galinho precisa melhorar a maneira como defende o gol. Não é aceitável sofrer tantas finalizações perigosas toda vez que o sarrafo competitivo aumenta.
Zagueirão vai Bem…
O zagueiro Samuel Barros (20) faz boa temporada, e é titular absoluto do sub-20. Nome de imposição física, que vai bem tanto nas bolas aéreas defensivas, quanto nas ofensivas, e evoluiu o seu jogo com a bola no pé. Samuel não teve dupla de zaga fixa, e precisou se entender com diferentes nomes, ao longo da campanha. Apesar disso, conseguiu manter um nível muito alto, e parece estar pronto para o futebol profissional. Olho nele, pois o zagueirão está no último ano de futebol de base.
…E Lateral vai Mal
Contratado por empréstimo junto ao Sporting-POR, no ano passado, Luiz Gustavo tem sido titular da lateral-direita. O Atlético está dando muita minutagem ao jogador, que está inscrito pelo time principal para a disputa da Sul-Americana. O problema é que Luiz ainda não conseguiu demonstrar um futebol que justifique a compra definitiva do seu passe. Para sermos justos, é nítido que o lateral tem um físico muito bom, e é rápido – duas características valorizadas no futebol profissional. Mas as boas notícias param aí. Mesmo esforçado, o camisa 2 não tem muitos lances de destaque. E ainda cometeu erros graves nos dois gols da desclassificação para o Ceará.
Em um time onde os bons Wanderson e Samuel Rodrigues pedem passagem, Luiz Gustavo precisava mostrar mais.
Geração 08/09
Alguns jogadores do time Campeão Brasileiro sub-17 estão começando a ganhar espaço no sub-20. Já era o casos do volante Luiz Peu – que não “sentiu” a promoção, e está mantendo bom nível – e também de Riquelme. O atacante, destaque absoluto das Seleções de Base, foi titular do sub-17 depois da disputa da Copa São Paulo, e agora está totalmente integrado ao 20 (e com projeção de chegar ao profissional). Precisou de uma partida como titular para dar a assistência do gol do acesso, contra o Coritiba.
O questionamento que fica é: os moleques de 2008/09 não mereciam mais espaço? É verdade que existem atletas próximos de “estourar” a idade da base, e outros nomes já tinham projeção no sub-20. Mas não há espaço para quem claramente está pedindo passagem?
Nível de Enfrentamento
Para fechar a análise, um ponto muito frustrante. O nível da Série B não era tão alto assim. O Atlético, até pelo investimento, projeto e tamanho do clube, sempre foi considerado favorito ao título. A questão é que, quando o nível de enfrentamento aumentou, o time teve muita dificuldade. A equipe do técnico Henrique Teixeira demonstrou boas ideias, com um jogo de passes curtos, rapidez nas pontas, e defensores construtores. Mas por que o resultado, como um todo, não foi melhor?
Se você olha a campanha na primeira fase, o Galo só foi ganhar fora de casa na penúltima rodada, contra o Brusque. Deixou pontos em casa para a fraquíssima Chapecoense, e perdeu duas vezes para o organizado (mas fraco tecnicamente) Ceará. A coisa podia ser pior, é claro – o também grande Internacional sequer subiu. Mas não podemos utilizar isso como parâmetro.
O time de 2026 do Galinho é melhor que o de 2025. Isso é uma constatação. Diferente dos últimos anos, podemos observar talentos promissores em todas as posições do campo. Só que, até como parte de reconhecer o trabalho de reconstrução das camadas jovens, é preciso identificar, reconhecer e corrigir os problemas. Afinal, isso é futebol. E uma instituição do tamanho do Atlético, não pode aceitar um terceiro lugar numa Série B. O acesso era o mínimo, e apenas o mínimo.
Números do Galinho na Série B
- 9 jogos: 5 vitórias, 1 empate, 3 derrotas;
- 15 gols marcados
- 7 gols sofridos
- Artilheiros: Lucas Louback, Ronaldo e Jonatas (3 gols)
