“Tenho certeza que estão arrependidos”, Hulk fala sobre esquema de apostas no futebol brasileiro
Por Hugo Fralodeo
O escândalo de apostas investigado pelo Ministério Público de Goiás tem tomado boa parte do tempo dedicado ao noticiário esportivo. Como não poderia ser diferente, também é assunto entre os jogadores que não estão envolvidos no esquema.
Inclusive, o Atlético promoveu uma palestra para seu elenco profissional e das categorias de base na última sexta-feira (12), onde o departamento jurídico esclareceu pontos em questão e conscientizou os atletas sobre o tema.
Questionado sobre a situação após a vitória sobre o Internacional, ainda na zona mista do Mineirão, o artilheiro Hulk disse que é preciso honrar a profissão, haja vista a dificuldade em chegar aonde chegaram:
“A gente tem que honrar, porque a gente sabe o tanto que é difícil chegar. Eu, particularmente, vim de um bairro humilde, da favela, sofri muito, vi meus pais sofrerem para caramba, e poder vencer na vida. A gente tem que honrar essa nossa profissão e não pode jogar fora”.
Hulk lamenta a situação dos colegas de profissão, revela acreditar que os envolvidos estejam arrependidos, mas acredita que deva haver uma punição:
“Infelizmente, acho que jogadores que estão envolvidos foram infelizes, tenho certeza que estão arrependidos. Imagino o quão arrependidos estão, é uma situação complicada, a gente não pode apontar o dedo. Nessas horas a gente tem que procurar fazer o nosso, é triste o companheiro de nossa profissão passar por isso, a gente sabe que, como falei, é uma situação muito complicada a gente até comentar. É lamentável, é lamentável, porque a gente é informado. Sem dúvida, tem que ter punição”.
A operação
Com já alguns meses de trabalho, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) investiga casos de manipulação de resultados e um grandioso esquema de apostas no futebol brasileiro.
As primeiras denúncias surgiram no último mês de fevereiro, primeiro em partidas da Série B e de Estaduais. Na segunda fase da operação, há indícios do envolvimento de pelo menos 26 pessoas no esquema, incluindo 18 jogadores registrados em clubes das quatro principais divisões do futebol brasileiro, que teriam recebido dinheiro para manipular lances em pelo menos 16 partidas (até agora), inclusive do Campeonato Brasileiro da Séria A de 2022.
Alguns outros jogadores foram citados em prints de conversas entre apostadores e atletas envolvidos e outros fizeram acordos com o MP-GO para cooperarem com as investigações. Há ainda relatos de jogadores que afirmam terem sido aliciados, mas recusado as propostas.
No presente momento, três pessoas envolvidas estão presas de forma preventiva, 11 jogadores foram afastados por seus clubes e outros sete tiveram seus contratos rescindidos.
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Foto: Pedro Souza/Atlético