O Galo precisa valorizar suas conquistas e reconhecer seu título Intercontinental
Por: Gustavo Lopes Pieres de Souza / @gustavolpsouza
Doutor em Direito e Mestre em Direito Desportivo
Há uma máxima no futebol que diz que um clube que não conhece sua história corre o risco de vê-la ser contada por outros. E quando se trata do Atlético Mineiro, falar em história é falar em pioneirismo, superação e glória.
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Poucos clubes no Brasil têm uma trajetória tão rica e tão negligenciada, inclusive por seus próprios dirigentes e torcedores.
É hora de o Galo fazer justiça à sua grandeza — e isso começa pelo resgate e valorização institucional de suas conquistas históricas, muitas das quais possuem peso técnico, simbólico e jurídico que vão muito além do que se reconhece oficialmente hoje.
Em 1978, o Atlético ergueu a Copa dos Campeões do Brasil, competição oficial organizada pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD) — a mesma entidade que, até 1979, comandava o futebol brasileiro e antecedeu a CBF. O Galo foi p último campeão nacional sob a jurisdição da CBD.A competição reuniu os campeões brasileiros e teve caráter oficial nacional. O Galo conquistou o título de forma incontestável ao vencer o São Paulo (atual campeão brasileiro) na final, somando mais um troféu reconhecido pela própria CBD.
Hoje, enquanto clubes brasileiros disputam a narrativa de títulos unificados e “oficializados retroativamente”, o Atlético já detém uma taça legitimamente oficial, mas que ainda não recebe o devido destaque em sua galeria histórica.
O Atlético foi bicampeão da Copa Conmebol, em 1992 e 1997. A Conmebol, confederação continental filiada à FIFA, organizava a competição como o a Copa da UEFA, segundo torneio mais importante das Américas, antecedendo a atual Copa Sul-Americana.Esses títulos, portanto, são oficiais e continentais, reconhecidos pela própria entidade que rege o futebol sul-americano.
O Galo, com esses dois troféus, é um dos poucos clubes do continente a ter conquistas internacionais oficiais antes mesmo da era moderna das competições da Conmebol — prova de uma tradição que precisa ser institucionalmente reforçada, celebrada e ensinada.
E então chegamos à Copa Centenário de Belo Horizonte, torneio que coroou o Galo como campeão internacional no ano em que a capital mineira completava cem anos.
Diferentemente dos torneios amistosos de verão, a Copa Centenário de Belo Horizonte foi oficialmente organizada e homologada pela Federação Mineira de Futebol (FMF) — entidade filiada à CBF e, portanto, integrante da estrutura da FIFA.
O torneio contou com clubes brasileiros — América, Corinthians, Cruzeiro e Flamengo — além de representantes de diferentes federações e confederações: o Olimpia (Paraguai), representante da CONMEBOL, e as equipes europeias Milan (Itália) e Benfica (Portugal).
Essa combinação conferiu à competição caráter intercontinental, nos moldes que hoje sustentam torneios como a Suruga Bank Championship, atual Levain Cup–Sul-Americana Final, co-organizada pela CONMEBOL e pela JFA (Federação Japonesa de Futebol).
Assim, pelo critério técnico da composição interconfederativa e pela oficialidade federativa, a Copa Centenário enquadra-se, de fato, como um título intercontinental oficial.
A vitória sobre o Cruzeiro, na final, por 2 a 1, consolidou mais uma conquista internacional — uma taça que o clube deve valorizar, documentar e buscar reconhecimento ampliado junto à CBF e à CONMEBOL, à semelhança do processo de reconhecimento retroativo da Copa Rio de 1951, que a FIFA hoje descreve como “o primeiro torneio intercontinental de clubes”.
Portanto, a Copa Centenário foi organizada por federação filiada à CBF/FIFA, o que a torna oficial dentro da pirâmide esportiva. Houve clubes da CONMEBOL e da UEFA, satisfazendo a definição objetiva de competição intercontinental.
A FIFA reconheceu a Copa Rio e a antiga Copa Intercontinental (1960–2004) como mundiais; logo, é plenamente possível pleitear o reconhecimento formal pela CONMEBOL.
Regulamento, arbitragem, súmulas e a própria final confirmam que não se tratou de torneio amistoso, mas sim de competição oficial federativa.
O Clube Atlético Mineiro tem uma história que ultrapassa o campo. Seus títulos não são apenas troféus: são símbolos de liderança esportiva, pioneirismo e identidade.
Por isso, é essencial que o clube, sua torcida e sua diretoria assumam o compromisso de documentar e reivindicar oficialmente o reconhecimento da Copa Centenário como título intercontinental, reafirmando o papel do Galo como um dos maiores clubes do futebol mundial — e não apenas do Brasil.
O Galo é bicampeão continental, campeão nacional de 1971, detentor da Copa dos Campeões de 1978 e, sim, campeão intercontinental da Copa Centenário de Belo Horizonte.Chegou a hora de dizer isso em alto e bom som — e de fazer com que o mundo saiba.
**Texto opinativo, de total responsabilidade do autor.
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