Júnior César, lateral-esquerdo da conquista da Libertadores, se declara ao Galo e revela motivos do vexame no Mundial
Por: Hugo Fralodeo
Em maio de 2012, Júnior César Eduardo Machado chegava ao Atlético, a pedido de Cuca, para disputar a lateral-esquerda com Richarlyson. Já em suas primeiras palavras com a camisa 6 do Galo às costas, Júnior deixou claro que sabia muito bem o que o ato de colocar o Manto do Atlético no corpo representava: “Estou muito feliz de estar num clube da grandeza do Atlético, que tem uma história muito bonita. Sei a responsabilidade que é vestir essa camisa.”
JC6 chegou quando o Atlético havia acabado de levantar o título Mineiro de forma invicta, e esperava mais conquistas com seus companheiros. Ele parecia prever o que estava vindo pela frente quando disse: “Vamos em busca de muito mais”.
Dai para frente, o resto é história. Júnior César atuou 71 vezes com o Manto, entre 2012 e 2013, não marcou gols, mas a profecia se fez como previsto, nesse período, o Atlético, com ajuda de Júnior César, conquistou a Taça Libertadores da América e o bi-campeonato Mineiro, em 2013. Após o fim da temporada, JC rumou para o Botafogo, rodou, e foi encerrar sua carreira no Cliper, de Manaus, em 2019.
10 anos depois de chegar ao Atlético, o lateral falou sobre sua passagem pela Cidade do Galo, no quadro ‘Por Onde Anda’, do portal Superesportes. Júnior Cesar lembrou sua passagem e se declarou à Massa, que considera sua família:
“Eu vou classificar aqui: é a minha família. A torcida do Atlético é minha família. Meu pai sempre me ensinou: ‘Você tem que respeitar quem te respeitou’. Eu, teoricamente, pelas peças que tínhamos no time, não tinha um quilate desses jogadores. Mas a torcida me respeitava, tinha um carinho muito grande por mim. Sabiam que, dentro de campo, eu fazia 150%, porque eu jogava para o time e tinha responsabilidade com eles. A forma que eles me receberam, o carinho que sempre me trataram em todos os jogos.… Eu entendia que tinha que retribuir dentro de campo. A torcida do Atlético é uma família, eu amo.”
“Estou até em dívida, tenho que voltar a Belo Horizonte o mais rápido possível, porque muitos torcedores me cobram. Eu quero muito, porque esses caras foram demais comigo. Vou carregar para o resto da minha vida. Marcou. Marcou minha carreira, minha história. E é muito bom quando você anda de mão dada com alguém que depositou confiança em você.”
Além de se declarar à Massa, Júnior, que é carioca e curte a aposentadoria em sua terra natal, revelou que, mesmo sendo do Rio de Janeiro e jogado em três clubes grandes do estado, seu time é o Galo:
“Acompanho futebol, o Atlético. O Atlético virou meu time do coração, da forma como fui recepcionado, da maneira como as coisas aconteceram. Eu acompanho mais o Atlético que os clubes do Rio de Janeiro, por aquilo que o Atlético representa para mim.”
NÃO CEDA AGORA!
Na finalíssima da Libertadores, Júnior César seria o titular, já que Richarlyson, que foi amarelado no primeiro jogo, estaria suspenso na partida do Mineirão. Na chegada ao estádio, o lateral cantava: “Não ceda agora. Confia que a história não vai terminar assim”. Ele relembra:
“Quando eu desço do ônibus, vejo o barulho do nosso torcedor, eu falo: ‘Cara, isso vai ter que ficar em Belo Horizonte. Tem que ser nosso, não pode deixar escapar’. Era uma oportunidade única, embora tenha uma dificuldade pela frente, mas era uma oportunidade que nós não poderíamos deixar passar. Nós sabíamos que se a gente passasse por ali campeão, estávamos marcados na história do Atlético”
FIASCO NO MUNDIAL
Júnior ainda apontou o que acredita serem os motivos para o vexame no Marrocos:
“Antes do Mundial, a preparação teve tantas coisas.… Tudo que implantamos na caminhada da Libertadores, que unificamos, jogadores, comissão técnica, torcida, acho que fugiu um pouco no Mundial, porque foram muitas notícias, saída do Cuca, e a gente só estava com a cabeça no Bayern. A gente achava: ‘Não, é o Bayern’. Esquecemos que futebol se resume dentro de campo”
“Tinha um time que não conhecíamos, mas sabíamos que era um bom time, que tinha capacidade. Mas de tanto falar Bayern, Bayern, não nos concentramos no adversário que você precisa passar primeiro para depois chegar ao Bayern, e ser surpreendido como fomos. Jogamos com o Raja Casablanca, que era um bom time, não era ruim”
“Nosso time não menosprezou o Raja. Eu acho assim: ‘Gente, a primeira final é o Raja’. É saber respeitar o time deles. Não desrespeitamos. ‘Vamos lá, ganhar do Raja e ir para a final’, não é isso. É entender que existe um compromisso para chegar à final. Nós não estávamos com essa mentalidade, por tudo que circulava naquele ambiente. Não estávamos 100% com a cabeça no Raja”.




