Cinco viradas sobre o 2 a 0 que fazem o atleticano acreditar na vaga contra o Grêmio

Cinco viradas sobre o 2 a 0 que fazem o atleticano acreditar na vaga contra o Grêmio

Foto: Montagem Marcos Ribolli / Globoesporte.com e Pedro Souza / Atlético

Por: Thiago Florêncio

O Atlético precisa de três gols de diferença contra o Grêmio, neste sábado (7), às 18h, na Arena MRV, para chegar à final da Copa do Brasil. Com dois, a vaga vai para os pênaltis. Visto de longe, o cenário é ruim. O time vem de cinco derrotas seguidas, perdeu a ida em Porto Alegre sem criar quase nada e enfrenta um adversário que sabe se defender.

O atleticano, porém, se apega ao espírito do Eu Acredito, tantas vezes entoado durante as viradas épicas. E a memória alvinegra está cheia de jogos de volta em que o placar parecia definido e não estava. Em pelo menos cinco ocasiões nos últimos 13 anos, o Galo perdeu a ida por 2 a 0 e reverteu a eliminatória em casa. Duas delas aconteceram exatamente na Copa do Brasil.

Newell’s Old Boys: Guilherme, o herói improvável no “apagar das luzes”

Newell’s Old Boys: Guilherme, o herói improvável no "apagar das luzes"
Jogadores do Atlético comemoram cobrança de penâlti convertida por Ronaldinho (Foto: Bruno Cantini / Atlético)

Na semifinal, veio a primeira virada de verdade. O time de Cuca perdeu para o Newell’s Old Boys por 2 a 0, em Rosário, e voltou a Belo Horizonte precisando de dois gols só para levar a decisão aos pênaltis.

Bernard abriu o placar cedo, e o Independência explodiu. Depois disso, o jogo travou. O Newell’s se fechou, o tempo passou e o segundo gol não saía. No meio da tensão, uma queda de energia interrompeu a partida e deixou o estádio no escuro. Quando a luz voltou, o Atlético voltou a pressionar, e o gol de Guilherme no fim levou a vaga para a marca do pênalti. O Galo venceu as cobranças e chegou à final da Libertadores pela primeira vez.

Olimpia: O zagueiro que virou centroavante

Olimpia: O zagueiro que virou centroavante
O zagueiro Leonardo Silva marcou o gol que levou a disputa da final da Libertadores contra o Olímpia para os penâltis (Foto: Reprodução / Superesportes)

A final contra o Olimpia teve o mesmo roteiro. Derrota por 2 a 0 em Assunção, e mais uma vez o Atlético precisava de dois gols para buscar os pênaltis. Dessa vez, o palco era o Mineirão lotado.

Jô fez o primeiro logo no começo do segundo tempo. O segundo demorou, e o relógio passou a pesar. A poucos minutos do fim, em uma bola levantada na área, quem apareceu para cabecear foi Leonardo Silva, zagueiro. Com Ronaldinho Gaúcho em campo e o estádio inteiro de pé, o Galo levou a decisão para os pênaltis.

Victor defendeu, e a última cobrança paraguaia bateu na trave. O Atlético conquistou a Libertadores pela primeira vez na história. Aquela noite transformou o “Eu acredito” em mais do que um canto. O grito passou a ser a forma como o atleticano encara qualquer placar adverso.

Corinthians: O primeiro 4 a 1 de 2014

Corinthians: O primeiro 4 a 1 de 2014
Guilherme comemorando o primeiro gol do Atlético na virada histórica contra o Corinthians, pela Copa do Brasil de 2014. (Foto: Bruno Cantini / Atlético).

Um ano depois, a Copa do Brasil trouxe a comparação mais direta com o jogo deste sábado. O Atlético de Levir Culpi, com Diego Tardelli, Luan, Dátolo e Jô, perdeu o jogo de ida das quartas de final para o Corinthians por 2 a 0, em São Paulo. A situação era igual à de agora: vencer por três gols para avançar sem pênaltis. No Mineirão, jogo sofrido, a torcida atleticana viu o time paulista abrir o placar, mas não deixou de acreditar, e o Galo fez 4 a 1, eliminando o Corinthians.

Flamengo: Sim! O raio caiu duas vezes no mesmo lugar!

Flamengo: Sim! O raio caiu duas vezes no mesmo lugar!
Luan marcou o gol da vitória mágica contra o Flamengo, na semifinal da Copa do Brasil de 2014. (Foto: Bruno Cantini / Atlético)

Na semifinal, o adversário foi o Flamengo, e o filme se repetiu quase quadro a quadro. Derrota por 2 a 0 no Maracanã, volta no Mineirão e mais um 4 a 1. Duas eliminatórias seguidas, contra dois dos clubes de maior torcida do país, revertidas com o mesmo resultado.

Na final, o Atlético bateu o Cruzeiro nos dois jogos e ficou com o título. Aquele time ficou conhecido como o time das viradas, e a Copa do Brasil de 2014 passou a ser lembrada como a campanha em que o Galo transformou desvantagem em hábito.

Santos: Delfim herda a fé de São Victor nos pênaltis

Santos: Delfim herda a fé de São Victor nos pênaltis
Em noite inspirada, Gabriel Delfim herdou a fé de São Victor e Everson, e defendeu três cobranças contra o Santos, pela Sul-Americana. (Foto: Montagem / Pedro Souza / Atlético)

Duas semanas depois, o Atlético viveu na Sul-Americana a situação idêntica à deste sábado. Nas quartas de final, perdeu o jogo de ida para o Santos por 2 a 0, na Vila Belmiro, com gols de Willian Arão e Oliva. O time ficou com a bola, mas errou demais na saída e só não saiu de lá com um placar pior por causa de Gabriel Delfim, que substituía Everson, afastado por uma fratura no pé.

A conta para a volta era a mesma de agora: três gols para avançar direto, dois para levar aos pênaltis. O Atlético não esperou para começar a fazer. Bernard marcou no primeiro lance da partida, depois de uma troca de passes entre Reinier e Fred. Aos 20, Fred passou pelo marcador na direita e serviu Reinier, que acertou o ângulo de Brazão.

O Santos diminuiu com um gol contra de Lyanco, mas Reinier marcou de novo antes do intervalo, de primeira, em um lançamento de Lodi. Foi a primeira vez que ele fez dois gols em uma mesma partida com a camisa do Galo, e o Atlético foi para o vestiário com 3 a 1, já com a vaga encaminhada.

O segundo tempo foi de Delfim. O goleiro fez defesas difíceis, uma delas à queima-roupa, mas não conseguiu evitar o gol de Gabriel Barbosa aos 26, que devolveu a vantagem ao Santos. Domínguez colocou o time inteiro no ataque e, nos acréscimos, Castaño cruzou da direita para Cuello cabecear e fazer 4 a 2. O placar agregado ficou empatado, e a decisão foi para os pênaltis.

Ali, Delfim defendeu três cobranças, de Gabriel Barbosa, João Schmidt e Arthur. Scarpa, Igor Gomes e Thiago Borbas converteram, e o Atlético se classificou para a semifinal da Sul-Americana, campanha que levou o Galo a vaga na final contra o Boca, marcada para 21 de novembro, em Barranquilla, na Colômbia.

O que separa este sábado das noites de antes?

O momento do time é diferente. Contra o Santos, o Atlético vinha de uma sequência longa sem derrotas. Agora chega com cinco seguidas, ainda que a última tenha vindo com reservas em campo e com os titulares preservados para este sábado.

O Grêmio vem com a vantagem e com problemas de sobra. Está em 18º no Brasileiro, dentro da zona de rebaixamento, perdeu para o Flamengo na última rodada e não terá o zagueiro Gustavo Martins, expulso no jogo de ida. Renato Gaúcho terá que mexer na defesa justamente no jogo em que ela será mais exigida.

Até a manhã de sexta-feira, 37 mil ingressos tinham sido vendidos para a Arena MRV. Em setembro, mais de 40 mil viram o Atlético reverter o mesmo 2 a 0 contra o Santos no mesmo estádio. O placar que o Galo precisa construir no sábado é um que esse time já construiu este ano.


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