Foto: (Montagem: Bruno Cantini/Atlético e Divulgação/Grêmio)
Por: Thiago Florêncio
Atlético e Grêmio entram em campo neste domingo (16), às 16h, na Arena MRV, em duelo válido pela 23ª rodada do Brasileirão. Times de peso, história pesada e uma rivalidade que ultrapassa a distância entre Belo Horizonte e Porto Alegre.
Em 2016, os dois clubes se encontraram na decisão da Copa do Brasil. O Grêmio venceu e ergueu o troféu, um resultado que a torcida alvinegra carrega até hoje. Desde então, todo reencontro entre Atlético e Grêmio ganha um tempero a mais.
Mas essa rivalidade também tem outra camada, escrita por quem vestiu as duas camisas. Ao longo das décadas, vários jogadores atravessaram a ponte entre Minas e o Rio Grande do Sul. Alguns encontraram a consagração em um dos lados, outros dividiram bons momentos nos dois. Juntos, formam um fio que liga as duas histórias.
É uma lista extensa de jogadores, e fazemos também uma menção honrosa a Sergio Araújo, Nelinho, Maicosuel, Alex Mineiro, Buião, Hernani, Paulo Roberto Costa, Chiquinho, Edmar e outros também atravessaram a ponte entre Atlético e Grêmio ao longo da história. Selecionamos alguns nomes para contar em profundidade, mas cada um desses jogadores tem seu capítulo na história dos dois clubes. É sobre essas trajetórias que o Fala Galo se debruça nesta matéria especial, às vésperas de mais um Atlético e Grêmio pelo Brasileirão.
Ronaldinho Gaúcho

O primeiro desta lista não podia ser outro. Revelado pelo clube gaúcho, Ronaldinho surgiu no fim dos anos 1990 como promessa de talento raro. Dribles curtos, arrancadas e gols plásticos rapidamente o colocaram no radar do futebol mundial. No Grêmio, conquistou o Campeonato Gaúcho e a Copa Sul antes de seguir para a Europa, onde vestiu a camisa do PSG, marcou história no Barcelona, viveu o auge da carreira e conquistou os corações dos rossoneros no Milan.
Anos depois, já consagrado como melhor do mundo e campeão da Copa de 2002, após passagem conturbada pelo Flamengo, o Bruxo escolheu Belo Horizonte para escrever um dos capítulos mais marcantes da história recente do Atlético. Em 2013, foi o líder técnico e emocional da histórica campanha da CONMEBOL Libertadores. Assumiu a responsabilidade nos momentos decisivos e ajudou a transformar desconfiança em fé.
Ronaldinho não foi apenas um camisa 10. Foi protagonista de uma virada institucional. Trouxe visibilidade internacional, elevou o nível competitivo do elenco e recolocou o Atlético no centro das grandes decisões do continente. Poucos jogadores podem dizer que marcaram profundamente duas camisas pesadas do futebol brasileiro. Ronaldinho pode. E por isso abre esta lista com naturalidade.
Ao todo, o R10 vestiu a camisa alvinegra em 88 oportunidades e marcou 28 gols. Além da Libertadores, conquistou o Campeonato Mineiro (2013), a CONMEBOL Recopa (2014), participou da campanha do vice-campeonato Brasileiro (2012) e do terceiro lugar na Copa do Mundo de Clubes da FIFA (2013).
Victor

Depois de Ronaldinho, outro nome é inevitável nesta lista: o goleiro Victor. No Grêmio, chegou em 2008, após se destacar no Paulista, e fez parte do elenco campeão da Copa do Brasil de 2005. O arqueiro rapidamente assumiu a titularidade, disputou Libertadores e foi referência técnica em um período de reconstrução do clube gaúcho. Seguro, explosivo e líder silencioso, tornou-se capitão e um dos pilares do elenco.
Em 2012, trocou Porto Alegre por Belo Horizonte, em negociação que envolveu o zagueiro Werley. No Atlético, encontrou o momento mais marcante da carreira. A Libertadores de 2013 consolidou seu nome na galeria de ídolos do clube. A defesa do pênalti contra o Tijuana, nos acréscimos, virou São Victor do Horto. Ali, o goleiro deixou de ser apenas destaque para se tornar símbolo.
Victor foi além das defesas difíceis. Transmitiu confiança a um time que precisava acreditar. Em decisões, mostrou frieza. Em momentos de pressão, respondeu com presença. Encerrou a carreira no Atlético, no início de 2021, como um dos maiores goleiros da história do clube. Depois de pendurar as luvas, também foi dirigente do Galo entre 2021 e o final de 2025.
Esteve no gol do Galo em 424 jogos, sendo o 10º jogador que mais vezes entrou em campo pelo clube. Tem 205 vitórias e participou das conquistas dos Campeonatos Mineiros (2013, 2015, 2017, 2020 e 2021), da CONMEBOL Libertadores (2013), da CONMEBOL Recopa (2014) e da Copa do Brasil (2014). Pelo Grêmio, conquistou o Gaúchão (2010).
Diego Tardelli

Se Ronaldinho representou genialidade e Victor virou santo, Diego Tardelli foi intensidade pura. O camisa 9 não chegou ao Atlético com status de astro mundial. Construiu a própria idolatria na marra, jogo após jogo. Foi contratado junto ao Flamengo para a temporada de 2009 e, por três anos, viveu fase artilheira, entrando entre os principais atacantes do país. Voltou em 2013, vindo do Al-Gharafa, para participar da campanha mais importante da história do clube: a conquista da América. Foi decisivo em diversos jogos, como no gol marcado na goleada sobre o São Paulo, pelas oitavas de final.
Sua passagem pelo Grêmio aconteceu em outro contexto. Em 2019, já experiente, chegou para agregar maturidade ao elenco gaúcho. Não repetiu o brilho vivido em Minas, mas somou experiência e leitura de jogo a um grupo que disputava competições grandes.
O Dom Diego sempre foi atacante de deslocamento. Ataca o espaço, flutua entre zagueiros, busca o facão nas costas da defesa. Vive de leitura e tempo de bola, nunca dependeu apenas da força física. Pelo Galo, foram 230 jogos e 112 gols marcados, com as conquistas dos Campeonatos Mineiros (2010, 2013, 2020 e 2021), da CONMEBOL Libertadores (2013), da CONMEBOL Recopa (2014) e da Copa do Brasil (2014).
Réver

Réver defendeu o Grêmio entre 2008 e 2010. Jovem ainda, ganhou sequência, amadureceu em jogos grandes e disputou competições continentais. Ali começou a consolidar a imagem de zagueiro firme, de imposição física e bom jogo aéreo. Jogou ao lado de Victor no clube gaúcho.
No Atlético, o cenário mudou. Chegou em 2010 e, pouco a pouco, assumiu o comando da defesa. Em 2013, já capitão da equipe, levantou a taça da Libertadores. Não foi o jogador mais midiático daquele elenco, mas foi o eixo. Organizou a última linha, puxou a responsabilidade nas decisões e virou referência interna ao lado de Leonardo Silva. Foi vendido ao Internacional em 2015, passou pelo Flamengo e voltou ao Atlético em 2018. Se aposentou pelo clube em 2023, como um dos maiores zagueiros que já passaram pela Cidade do Galo.
Vestiu o manto alvinegro por 356 vezes, ocupando a 20ª posição entre os que mais entraram em campo na história do clube. Marcou 31 gols e conquistou os Campeonatos Mineiros (2012, 2013, 2020, 2021, 2022 e 2023), a CONMEBOL Libertadores (2013), a CONMEBOL Recopa (2014), o Brasileirão (2021), a Supercopa do Brasil (2022) e a Copa do Brasil (2014 e 2021). Pelo tricolor gaúcho, não conquistou títulos.
Danrlei

Goleiro da geração mais vitoriosa do clube gaúcho nos anos 1990, Danrlei foi titular nas conquistas da Libertadores de 1995, do Campeonato Brasileiro de 1996 e das Copas do Brasil de 1997 e 2001. Era dono da camisa 1 em um time cascudo, competitivo, acostumado a decisões. Seguro sob pressão, vibrante e identificado com a torcida, virou símbolo de uma era. Ficou no clube por dez anos, até ser negociado com o Fluminense.
Quando chegou ao Atlético, em 2004, o cenário era outro. Já não era o mesmo goleiro explosivo dos tempos de auge. O clube passava por dificuldades dentro e fora de campo, e a passagem do arqueiro por Belo Horizonte foi discreta, sem protagonismo nem identificação mais profunda com o torcedor atleticano. Pelo Galo foram 67 jogos e 97 gols sofridos. Já pelo Grêmio, Danrlei entrou em campo 591 vezes, sendo o terceiro jogador com mais partidas na história do clube.
Paulo Isidoro

Revelado pelo Atlético, iniciou a trajetória profissional no clube e teve duas passagens marcantes: de 1975 a 1979 e depois entre 1985 e 1987. Pelo Galo, disputou 399 partidas, número que o coloca na 12ª posição entre os jogadores que mais vestiram a camisa alvinegra. Marcou 98 gols, índice expressivo para um meio-campista.
No período em Minas, acumulou títulos. Conquistou as Taças Minas Gerais de 1975 e 1976 e os Campeonatos Mineiros de 1975, 1976, 1978, 1985 e 1986. Foi peça constante em uma das gerações mais competitivas do clube na década de 1970.
Em 1979, foi negociado com o Grêmio. Em Porto Alegre, também viveu momentos relevantes. Levantou os Campeonatos Gaúchos de 1979 e 1980 e integrou o elenco campeão brasileiro de 1981, título que consolidou o Grêmio no cenário nacional.
Paulo Isidoro deixou números e conquistas nos dois lados. No Atlético, construiu longa história e entrou para o grupo dos atletas mais presentes em campo. No Grêmio, participou de um dos capítulos mais importantes da trajetória do clube.
Éder Aleixo

Éder chegou primeiro ao Grêmio, em 1977, vindo do América Mineiro. Em Porto Alegre, viveu fase decisiva da afirmação nacional do clube. Disputou 159 partidas e marcou 79 gols, números expressivos para um ponta. Conquistou os Campeonatos Gaúchos de 1977 e 1979, sendo peça ofensiva de destaque, com chute potente e presença constante na área.
Em 1980, transferiu-se para o Atlético. A primeira passagem, entre 1980 e 1985, foi a mais marcante. Participou da campanha do vice-campeonato brasileiro de 1980 e conquistou os Campeonatos Mineiros de 1980, 1982 e 1983. Tornou-se referência técnica do time, especialmente pela qualidade nas cobranças de falta e finalizações de média distância. Marcou 122 gols e é o 13º maior artilheiro da história do clube.
O “Bomba de Vespasiano” ainda retornaria ao Galo em duas oportunidades: de 1989 a 1990 e depois entre 1994 e 1995. Ao todo, somou 368 partidas com a camisa alvinegra, sendo o 17º jogador que mais atuou pelo Atlético, dado que reforça sua relevância histórica.
Diego Costa

Chegou ao Galo em agosto de 2021. Fez sua estreia contra o Bragantino e marcou o gol do empate. Mesmo como reserva, teve sua importância nos títulos do Brasileirão e da Copa do Brasil. Com contrato até dezembro de 2022, rescindiu com o Galo antes do previsto. Pelo Atlético, foram 19 jogos e cinco gols. Em 2024, já com a camisa do Grêmio, fez 26 jogos e marcou oito. O clube gaúcho foi o último da carreira de Diego Costa.
Vantuir

O lendário zagueiro atuou pelo Galo entre 1968 e 1978. Entrou em campo 507 vezes e fez parte da equipe campeã brasileira em 1971. Foi eleito o melhor quarto zagueiro da temporada pela revista Placar. No fim dos anos 1970, vestiu a camisa do Grêmio, onde também conquistou o Brasileirão, em 1981.
Guilherme Alves

Outro jogador que dispensa comentários. O atual coordenador técnico do Atlético é o oitavo maior artilheiro da história do Galo, com 139 gols. Marcou gerações e vestiu o manto alvinegro em 205 oportunidades. Atuou pelo Grêmio antes de chegar ao Galo, em 1997 e 1998. Pelo tricolor gaúcho, o camisa 7 marcou 20 gols em 34 jogos.
Rafael Carioca

O volante começou nas categorias de base do Grêmio, em 2008, e teve ali sua primeira chance no time principal. Por lá, fez apenas 37 jogos e não marcou nenhum gol. Chegou ao Galo em 2014 e, pelo clube mineiro, foi campeão da Copa do Brasil em 2014 e vice-brasileiro em 2015. Fez 172 jogos e marcou cinco gols. Deixou o Atlético em 2017, negociado com o Tigres, do México.
Alfinete

Carlos Alberto Dario de Oliveira, mais conhecido como Alfinete, foi lateral-direito do Galo entre 1991 e 1992. Em 82 partidas com a camisa 2, marcou 10 gols. Foi campeão da Copa CONMEBOL de 1992, titular em todos os jogos. Antes de chegar ao Galo, vestiu a camisa do Grêmio, onde foi tetracampeão gaúcho e campeão da Copa do Brasil em 1989.
Nathan

O meia Nathan, carinhosamente chamado de Nathan Pescador, chegou ao Galo por empréstimo em 2018. Em 2019, marcou cinco gols e se mostrou versátil, atuando em várias funções no meio de campo.
Diante do bom desempenho, o Atlético buscou um novo empréstimo junto ao Chelsea, válido até o meio da temporada 2020. Por causa da pandemia de Covid-19, boa parte do contrato foi cumprida sem jogos. Ao fim do vínculo, o clube anunciou a compra do atleta em definitivo. Não foi titular na campanha histórica de 2021, mas teve sua importância: iniciou a jogada que terminou no gol de Keno na virada histórica sobre o Bahia, que culminou no título brasileiro daquele ano.
Já pelo Grêmio, o meia não conseguiu desempenhar o mesmo papel. Ficou no clube gaúcho por duas temporadas: foram 47 jogos e apenas um gol.
Humberto Ramos

O meia chegou ao Atlético com apenas 16 anos. Fez 110 jogos pelo Galo e marcou 12. Campeão Mineiro em 1970 e Campeão Brasileiro em 1971, foi responsável pela jogada do principal gol da história do clube, ajudando Dadá a marcar o gol do título inédito. Em 1999, foi técnico do clube, na campanha do vice-campeonato brasileiro. Saiu do Galo em 1973 para o Grêmio. Pelo tricolor gaúcho, marcou 11 gols em 75 jogos.
Rafael Marques

Atuou pelo Grêmio entre 2009 e 2011. Ao todo, foram 139 jogos e oito gols. Em 2012, chegou ao Galo com contrato de dois anos. Não foi titular absoluto, mas seu melhor momento com a camisa alvinegra foi na partida de ida das semifinais da Libertadores de 2013. Com a zaga titular suspensa, coube a Rafael Marques e Gilberto Silva a responsabilidade de segurar o poderoso ataque do Newell’s Old Boys. Mesmo perdendo por 2 a 0, o zagueiro salvou um gol em cima da linha. Além da Libertadores, Rafael Marques conquistou os Campeonatos Mineiros de 2012 e 2013.
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