Atlético oficializa plano de parcelamento junto à CNRD para organizar dívidas esportivas
Por: Angel Baldo
Foto: Pedro Souza
Nesta terça-feira, 28 de abril, o Atlético deu mais um passo decisivo em sua jornada de reestruturação financeira. O clube protocolou oficialmente, perante a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), um requerimento para a criação de um Plano Coletivo de Parcelamento de Débitos. A medida visa organizar de forma escalonada as pendências financeiras com agentes, outros clubes e ex-atletas, evitando que processos judiciais e sanções desportivas prejudiquem o planejamento da temporada.
A iniciativa reflete a nova postura da gestão da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Galo. Em nota, a instituição reiterou que o plano não prevê abatimentos ou “calotes”, mas sim uma forma sustentável de honrar os compromissos.
“A proposta contempla, de forma estruturada e equilibrada, o parcelamento de débitos desportivos junto a agentes, clubes e ex-atletas. Com essa iniciativa, o clube continua com o compromisso da quitação integral de suas obrigações, sem qualquer desconto, em concordância com os princípios de responsabilidade e sustentabilidade financeira que pautam a gestão da SAF do Atlético.”
O DESAGIO DO BILHÃO: O RAIO-X DA DÍVIDA
Embora o Atlético venha registrando sucessos em campo e na operação de sua nova casa, a Arena MRV, o passivo financeiro ainda é o maior gargalo da instituição. Atualmente, a dívida global do clube ultrapassa a marca de R$ 1,7 bilhão, um montante que exige uma engenharia financeira precisa para ser mitigado.
A expectativa para os próximos dias é o aporte de R$ 500 milhões por parte da família Menin, investidores majoritários da SAF. Embora o valor traga um fôlego imediato para o fluxo de caixa, o clube entende que o aporte sozinho não resolve o problema estrutural, sendo necessário manter o rigor nos pagamentos e na renegociação de prazos.
DETALHAMENTO FINANCEIRO E IMPACTO DOS JUROS:
O vice-presidente de operações e finanças do Atlético, Thiago Maia, trouxe luz aos números reais do clube em entrevista recente ao Sports Market Makers. Segundo o executivo, o cenário é complexo devido à natureza das dívidas e à pressão das taxas de juros no Brasil.
“O Galo tem um endividamento líquido na casa de R$ 1,7 bilhão. Desses, aproximadamente R$ 1 bilhão são dívidas bancárias, na casa de R$ 600 milhões são dívidas bancárias da SAF, todas são avalizadas. Por mais baratas que sejam, por serem avalizadas, elas machucam muito por causa da taxa Selic. A outra, de R$ 400 milhões, é a dívida do estádio e tem o CRI da arena, que está na casa dos R$ 300 milhões. Esse é o principal problema do Galo”, explicou Maia.
O dirigente ainda detalhou o restante do passivo, separando as obrigações fiscais das operacionais:
“Tem aí mais R$ 400 e poucos milhões de dívida tributária, que machuca menos, parcelada de longo prazo, mas com o CDI neste patamar tudo machuca, e o restante é a diferença de contas a pagar e contas a receber, que fica na casa dos R$ 300 milhões. Quando você soma isso tudo, dá R$ 1,7 bilhão.”
PRÓXIMOS PASSOS:
O balanço financeiro consolidado de 2025 deve ser publicado até o final deste mês de abril. A tendência é que o documento apresente um crescimento nominal da dívida, impulsionado pelos juros acumulados e pelos investimentos remanescentes na Arena MRV.
“A aprovação do plano junto à CNRD será fundamental para que o clube tenha previsibilidade. Se homologado, o clube terá um cronograma claro de pagamentos, afastando o risco de bloqueios de contas ou punições que impeçam o registro de novos reforços nas janelas de transferências”, declarou uma fonte ao Fala Galo.