Vargas admite relaxamento de um ano para outro, cita arrependimento por expulsão e revela depressão após episódio
Por: Hugo Fralodeo
15 dias se passaram desde que o Atlético foi eliminado da Copa Libertadores. Um lance daquele jogo no Allianz Parque foi o mais repercutido de lá para cá. Quando já era praticamente certa a definição na disputa dos pênaltis, Eduardo Vargas ‘peitou’ o árbitro da partida após um lance na linha lateral e foi expulso, junto com a oportunidade de ser um dos cobradores do Atlético.
O atacante foi punido administrativamente e esportivamente, não sendo relacionado para os dois jogos seguintes à eliminação. Em silêncio desde então, o chileno falou à TV Globo em entrevista que foi ao ar nesta quinta-feira (25), revelando tudo o que viveu desde aquela fatídica noite de Copa.
Em detalhes, Vargas contou o que sentiu e como foi sua expulsão:
“Eu sou um dos principais que podem bater pênalti. Então, eu entrei com essa vontade… acho que entrei no minuto 76. Entrei com muita vontade de querer ganhar esse jogo. Pra não ter de disputar os pênaltis. Mas, sentia que nos pênaltis eu era o principal que ia bater. Na primeira falta, para mim, não era cartão amarelo, porque eu me afastei do jogador. Na segunda, eu levei uma falta e ele (árbitro) não marcou. Então, eu perdi a cabeça, fui atrás do jogador (adversário). Acho que o Allan cometeu a falta. Perdi a cabeça total. Aí fui me manifestar com o juiz. Nunca passou pela minha cabeça que ele ia me expulsar. Depois, cheguei no vestiário com cabeça quente e totalmente arrependido de ter sido expulso.”
O atacante ainda contou sobre a conversa que teve com Cuca e Rodrigo Caetano, relembrando a punição que sofreu:
“Não falei com o Cuca (no vestiário). Só no dia seguinte. Eu fui lá pedir desculpas para ele, para o Rodrigo. E falei tudo que eu sentia, que eu senti. Mesma coisa que estou falando agora. Que eu estava muito arrependido. Nunca prejudicaria um treinador ou um companheiro com isso. Nunca passou pela minha cabeça. Eu chegava no CT me sentia meio, sabe, patinho feio? Não queria fazer nada, não tinha muita, me sentia sem vontade, sabe? Nervoso… mas, aí eles me falaram que eu ia ser punido. Depois, o Rodrigo me chamou pra falar que eu não ia pro jogo.”
Então, Vargas revela que passou a sofrer com a depressão após a expulsão, destacando que contratou um profissional de preparação mental, para superar os problemas enfrentados:
“Depois da expulsão, eu cai tipo na depressão. Me sentia com vontade de nada. Não queria sair na rua, não queria ir no supermercado. Inclusive meus filhos vieram no fim de semana. A gente ficou aqui com meus amigos, filhos deles. Saímos aqui no parquinho, sendo que eu podia ter levado no shopping, sabe? Qualquer lugar pra eles desfrutarem. Mas não tinha vontade. Porque eu sabia que talvez o atleticano, o torcedor, ia me olhar com uma forma diferente.”
“Me senti muito culpado. Por isso que eu procurei ajuda nesse momento muito difícil. Eu cai na depressão, sabe? Ele tá me ajudando muito. Estou saindo daqui com mais vontade de tentar ganhar confiança do treinador, companheiros e principalmente da Massa. O acompanhamento está me ajudando muito. Está mudando meu pensamento, minha maneira de pensar. A gente acorda às 6 da manhã para ele (preparador mental) dar um treino, uma ativação para ir mais forte, mais confiante no treino.”
Com a preparação mental, Vargas acredita que pode reverter a situação. O atacante ainda falou sobre o futuro e a vontade de permanecer no Atlético:
“Estou focado em reverter toda essa situação. Tentar, nesses últimos três meses, voltar a ser convocado (relacionado), e mostrar toda a vontade que eu tenho de mudar a situação. E aí eles (Atlético) vão dizer se estou bem. Se eles me quiserem, vou ficar. Eu gosto de desafios, sabe? Coloquei na minha mente da minha vontade de ficar aqui. Mas é o tempo que irá decidir.”
Sobre a queda de rendimento de um ano para outro, o atacante citou a separação da mulher e o relaxamento como um dos fatores para a quebra no ritmo:
“Eu acho que relaxei. Como posso explicar… Me sentia à vontade, sabe? Se eu ia mal em um jogo, não sentia o que eu sentia ano passado quando ia mal também. Ano passado, se eu fazia um jogo mal, não fazia um gol, eu dava tudo na semana, eu me cuidava, me alimentava bem. Agora, também, comecei a a me alimentar bem para estar no estado físico ideal que eu tinha ano passado. Sempre tenho fome. Mas é isso que falei. Às vezes… Eu passei por uma separação com a minha ex-mulher. Não estou colocando isso como desculpa. Mas afeta estar longe dos filhos. Eles mudaram para Porto Alegre. São muitas coisas, e aí relaxei um pouco mais”.
Vargas tem a expectativa de voltar a ser relacionado para o clássico contra o América, no próximo domingo, às 16h00, no Independência (com mando do coelho), válido pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro.