O campeonato Mineiro de 2020 deverá nos revelar grandes surpresas. Pouca coisa se pode prever deste torneio de 2020. Existem inúmeras situações inusitadas e imprevisíveis, inclusive de alguns clubes. Além disso, o acerto das datas pela FMF, CBF e clubes, ainda tratados parcialmente em 2019 se mantém com problemas não resolvidos. Mas uma coisa podemos afirmar com toda certeza do mundo: a final do Mineiro não será disputada no Mineirão, a menos que se mude a data desta final!
Ao que tudo indica, as entidades máximas do futebol nacional, regional, os clubes e a empresa detentora dos direitos de transmissão de jogos pela TV, não tomaram os devidos cuidados em seus planejamentos quanto às datas do calendário do Campeonato Mineiro. Com isto, promoveram um descanso aos clubes no final de semana de carnaval. Desta forma, empurraram a data da final do Mineiro para o dia 26/04/2020, sendo que, no dia 27/04/2020 (segunda-feira), já estava agendado há mais de um ano, o show da banda de Rock Metal, a Metallica, nas dependências do Mineirão. Impossível haver qualquer outro evento no dia anterior, visto que, toda megaestrutura estará montada no gramado do Gigante da Pampulha.
A FMF foi devidamente comunicada pela administradora do Mineirão sobre esta impossibilidade. Resta então à entidade máxima do futebol de Minas Gerais, propor a solução para este problema, que podem ser apenas duas:
Mudança da data da final;
Realizar a final em outro estádio (caso seja com algum dos times da capital, a saída seria o Independência).
Não chega a impressionar tamanha desconexão entre os atores envolvidos, visto que, a FMF peca corriqueiramente nos detalhes de planejamento e organização. Mas, além disso, demonstra o descaso de todos os envolvidos sobre a questão do planejamento do calendário dos jogos deste torneio estadual. Isto sem contar os diversos pedidos de mudança de data ou local de jogos que já foram encaminhados à Federação Mineira.
O que se infere e constata é que, de fato, quem determina o calendário e as obrigações do Campeonato Mineiro, não são os clubes, a FMF ou mesmo a CBF. Quem determina isto é a emissora de TV que detém os direitos e exclusividade de transmissão dos jogos. É claro! Para a TV, tanto faz que a final seja disputada no Mineirão, Independência, Arena do Jacaré, ou no campo do Torneio Corujão. O público que irá assistir ao vivo é o que menos importa. Desde que as TV’s estejam todas ligadas na programação da emissora.
A mensagem é maior que filmar barrancos vazios em estádios do interior, o recado é: o produto é ruim, vai existir e pronto!O povo que se arriscar a sair de casa para assistir aos jogos o farão por seu desejo, ninguém os obriga. O povo é um mero detalhe, figurante do nosso interesse. Uma vergonha sem tamanho!
Bom para os fãs do Heavy Metal, que poderão desfrutar de um show fantástico, sem o receio de que o ambiente não seja propício ao porte do espetáculo. Serão tratados como parte integrante e fundamental de um verdadeiro SHOW! O Mineirão será do Metallica e a final do Mineiro de 2020 pode ser que seja …. Onde mesmo, sô?!
*O Fala Galo tentou contato com os responsáveis da FMF para apurar as razões da falta de agenda disponível no Mineirão para a final, mas não obteve êxito no contato. O Portal também se coloca aberto a ouvir todos os atores sobre o texto e/ou seu conteúdo.
O Fala Galo apurou que o aumento de custos para intervenções viárias e compensações não afetará os cofres do Atlético. Nos últimos dias muito foi falado sobre o acréscimo de valores que pode beirar os R$ 540 milhões de reais, o que geraria uma variação de 130 milhões para o primeiro orçamento (R$ 410 milhões).
Só em contrapartidas, estima-se um valor de 80 milhões a mais. Ainda é preciso considerar a inflação com base em um orçamento concebido há dois anos. Estima-se que o “delta” de inflação chegue a cerca de 10% até o fim da obra, o que geraria aproximadamente R$ 50 Milhões de acréscimo . Ou seja,
410 (orçamento antigo) + 80 de compensações + 50 inflação = Aproximadamente 540 milhões. Variação de R$ 130 milhões acima!
O que o FG ainda apurou, é que também, a capacidade do estádio à época era de 41.800 para o cálculo, hoje trabalha-se na data atual com 46.000 espectadores. Desta forma, além de orçar de forma conservadora no plano de negócios (considerando piores condições), o estádio terá ainda mais cadeiras a comercializar e outras fontes de receita como o estacionamento e sua comercialização.
Por fim, a venda dos 49,9% valia R$ 250 milhões em 2017, agora beira os R$ 300 milhões de reais. Portanto, a variação passaria para uma equalização da seguinte forma:
Conta de padaria: 130 acima – 50 (da valorização dos 49,9% Diamond vendidos) – Venda de mais cadeiras a mais – Receitas com estacionamentos e outros = 0
Desta forma, como garantem os responsáveis pelo empreendimento: “São ajustes para daqui 30 meses termos a nossa casa. Não sairá nada dos cofres do Atlético. Arena vai ficar pronta sem nenhum recurso do clube, e quando estiver pronta mudará ainda mais o patamar do Atlético”.
Passada a vitória da liberação do Estádio na reunião última do COMAM, as revelações de bastidores voltam à tona.
Em um tweet do último sábado (21), o vice presidente, Lásaro Cândido postou: “Para registro dos bastidores ref decisões sobre a construção do nosso Estádio – Arena MRV-seguem trechos do indeferimento da liminar proposta por um conselheiro que tentava suspender/cancelar a reunião do Conselho Deliberativo que iria votar o assunto… Uma vitória do GALO!”
Apenas p registro dos bastidores ref decisões sobre a construção do nosso Estádio – Arena MRV-seguem trechos do indeferimento da liminar proposta p um conselheiro q tentava suspender/cancelar a reunião do Conselho Deliberativo q iria votar o assunto….uma vitória do GALO!⚽️⚽️⚽️ pic.twitter.com/1cilAuAsbd
A postagem gerou a curiosidade de torcedores e o FG apurou que o conselheiro citado era o Sr. Edison Simão.
Em setembro de 2017, o conselheiro ajuizou ação em desfavor do Atlético pouco antes da apreciação deliberativa que desejava votar a venda parcial do shopping Diamond Mall em 50,1% para a Multiplan. A ação foi indeferida por se contradizer em objetivos que questionavam a construção da Arena, citando que o processo dilapidaria o patrimônio do clube mas se balizava em argumentos frágeis como a citação do tempo da reunião, que segundo o estatuto não poderia ultrapassar quatro horas e meia, além da necessidade de 2/3 do total de conselheiros. Ação que foi defendida com competência pelo jurídico do clube, liderado pelo próprio Dr. Lásaro Cândido.
Por fim, a decisão foi indeferida e o processo seguiu. No caminho houve pedras de todos os lados e a Arena MRV, como muito noticiado foi liberada no último dia 20, e seu início se dará logo após o fim de ano, mas nem tudo foram em pétalas, houve pedras demais.
Antes mesmo de vir a público, lá em 2014 para 2015, grandes atleticanos se juntaram para mudar as rotas do Galo.
Idealizando e liderando o processo, a MRV e Daniel Nepomuceno encabeçaram o ideal de projetar um estádio para o Galo se destacar em um grupo futuro dos seis clubes mais poderosos do Brasil.
Diante de inúmeras dificuldades, absurdas para desenvolver um mundo de oportunidades, a possibilidade da Arena passou a ter que contar com inúmeros processos burocráticos de difícil complexidade.
Inúmeras matérias sobre condicionantes foram feitas e muitas vezes o desistir pairou na cabeça atleticana. Pois é!
Neste difícil cenário, o Atlético foi ao seu modo vencendo licença a licença, comemorando cada aprovação como um gol em Libertadores. Daia, Daia, Daia!
Isto mesmo! Em toda a história o Galo teve que passar por barreiras diversas, muitas pareciam intransponíveis, como se tivéssemos um zagueiro adversário alemão a vencer.
Vencer é o ideal, mas era canalização, APP, MP, DAIA, Interesse Social e o capacetinho-do-oco-do-pau. Cara, houve que se provar a não extinção do Capacetinho-do-oco-do-pau, surreal! E tudo era culpa do Galo. Isso a Globo não mostra.
Mas enfim, a vitória chegou. Muito se brigou, dialogou, muita coisa boa e bola quadrada por Werneck se consertou, uma avenida para pavimentar sonhos e diplomacia.
Divulgada oficialmente no DOM (Diário Oficial do Município) reunião deliberativa do COMAM para liberar as obras! Como informado pelo Fala Galo com antecedência, chegou a hora. Dia 20 de dezembro, às 13h30, no auditório da Secretaria do Meio Ambiente.
Desde setembro de 2017, quando aprovado no Conselho Deliberativo do Atlético, a torcida espera pelo tão sonhado início das obras. Esta data parece ter chegado. Dia 20 próximo, o atleticano, pode além de comemorar o rebaixamento do rival, vibrar com um grande presente do Papai Noel.
🚨#ArenaMRV: Divulgada oficialmente no DIÁRIO OFICIAL DO MUNICÍPIO, a reunião deliberativa do COMAM para liberar as obras! Como informamos antes, chegou a hora! Dia 20 de dezembro, às 13h30, no auditório da Secretaria do Meio Ambiente! A MASSA PRECISA IR! Via @rmarques13. pic.twitter.com/rgZb6vKcBS
Recentemente, em entrevista ao Fala Galo, o presidente Kalil falou que por ser atleticano e ser prefeito tudo pro Atlético foi mais difícil, inclusive na liberação da Arena MRV.
“É isso mesmo sô, foi essa m#rda mesmo, excesso de zelo. Não podia fazer uma agulha pro Atlético. O processo foi o mais exigente possível … Mas agora acabou, atenderam às 55 condicionantes e no COMAM será 10×0, acabou. Mas eu tinha uma história pessoal, não privilegiei e teve isso, tivemos cuidado demais e até excesso de zelo”
Caso aprovado como adiantado pelo prefeito, a intenção é romper o espaço com obras já nos dias seguintes.
Enfim, o atleticano terá um natal para sorriso aberto e escancarado.
Reunião para liberar Licença de Implantação (LI) agendada
A tão sonhada licença de implantação, que liberará o início das obras está marcada para o próximo dia 18 de dezembro e ocorrerá no prédio que fica lotada a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, na Avenida Afonso Pena, 342, às 13h30. Vale acrescentar, que ainda não saiu a publicação oficial devido aos ajustes da pauta e outros processos que também serão parte integrante da reunião.
Além disso, a apreciação do protocolo com milhares de páginas entregue em 18 de outubro pela Arena MRV à prefeitura, apesar do agendamento da reunião do COMAM mencionado no início do texto, mantém um grande número de profissionais envolvidos que ainda estudam e analisam os documentos que estão divididos em várias secretarias, que no fim, centralizam na Secretaria do Meio Ambiente. Por fim, poderá sim, ocorrer uma liberação da LI com algumas pendências menores e com assinatura do empreendedor para ajustar estas condutas com a obra em andamento.
Reunião do COMAM (Conselho Municipal do Meio Ambiente): 18 de dezembro, às 13h30 – Avenida Afonso Pena, 342 – Centro – Belo Horizonte
Nova Capacidade da Arena MRV
Os números da capacidade da Arena MRV mudaram muito ao longo da fase de concepção do projeto. Inúmeros fatores, vez ou outra aumentaram ou reduziram a quantidade de espectadores em suas várias etapas, em função dos coeficientes de aproveitamento e de inúmeros ajustes de projeto, incluindo até a altimetria do local.
Lá atrás, na apresentação do projeto inicial ao Conselho Deliberativo do Atlético, a capacidade inicial levada ao órgão era de 41.800 lugares. Recentemente, em outubro de 2019, este número chegou em 45.685 espectadores. Porém, os limites que parecem definitivos e que deverão ser aprovados no COMAM, no próximo dia 18 de dezembro são os seguintes:
Classificação por assentos – Público máximo pagante por assentos: 43.992, sendo que nestes números estão:
40.315 assentos padrão;
1.358 assentos de camarote;
1.407 assentos obeso;
912 assentos PMR (Portador de Mobilidade Reduzida).
Classificação por anéis do estádio – Público máximo pagante por anéis: 43.992, sendo que nestes números estão:
15.856 – Anel inferior;
2.920 – Anel intermediário (camarotes e lounges);
25.216 – Anel superior
Outros (cadeira separação de torcida + imprensa) = 734
Público máximo total = 44.726 – Inclui torcida e profissionais do evento
Obs: Ainda há uma análise para deixar os setores atrás do gol (torcidas organizadas) sem cadeiras, mas isto contraria a IT-37 mencionada na observação seguinte.
Obs 2: De acordo com a IT-37 do CBMMG, página 5, item 5.1.11 – “Para edificações a serem construídas, não será admitira a previsão de espectadores em pé.”
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Diante da necessidade de manter harmonia entre a demanda de crescimento da cidade, e considerando uma proporcionalidade razoável entre o verde e o concreto, muito foi cobrado para que o projeto da Arena MRV contrariasse as atrocidades cinzentas que acabaram por completo com o verde encantador que cercava o antigo Mineirão.
Desde o início do empreendimento, sabendo da demanda de desenvolvimento da cidade e da valorização, inclusive, do bairro Califórnia, a maior parte da população abraçou a causa da nova casa atleticana. Porém, até por formação acadêmica, cobramos estas harmonias verdes de forma a manter funcional o estádio, porém, sem perder o visual agradável. Evidentemente, até por patologias técnicas e construtivas, o estudo de colocar espécies arbóreas depende inclusive do tipo de raiz que pode “trabalhar” em sintonia com a funcionalidade do estádio. Além de desejar os jardins, é importante ser razoável com as necessidades e realidades de empreender sem devaneios.
Na foto abaixo, um comparativo do Mineirão antes e após as intervenções da reforma para a Copa de 2014:
Considerando uma área permeável de 49.001,63m² (42,10%), o projeto paisagístico da Arena MRV, realizado pela Forma Garden, prevê na esplanada menos aridez e soluções modernas para a ocupação agradável do espaço.
Legenda do Projeto (numeração em vermelho na planta)
Área 1 (legenda) – Do lado esquerdo da esplanada, foram dispostas vegetações nativas que formam um pequeno bosque com árvores e algumas palmeiras para dar impacto inicial. O objetivo é que essa vegetação crie uma barreira diminuindo o impacto de ruídos para o bairro além de proporcionar sombra e ambiência para o acesso e para a esplanada. Em função da contenção de solo grampeado, na área estreita entre a esplanada e a rua Cristina Maria de Assis foram inseridos apenas árvores de pequeno porte para não comprometer a estabilidade do talude.
Área 2 – Foi proposta a disposição de Palmeiras Imperiais (à direita da área 1), formando uma linha vertical que marca o acesso e gera referência para o entorno além de manter a permeabilidade visual para a cidade.
Área 3 – Praça linear: foi inserido um grande pergolado para proporcionar sombra e trazer a escala humana. Na jardineira que fica à margem da esplanada, além de arbustos e forrações foi especificado Areca Bambu formando um grande plano de fundo, ambientando o espaço proporcionando, desde o início do plantio, sombra, barreira sonora e visual.
Observação: Areca Bambu é uma espécie de pequeno porte (3 a 6 metros cultivada em jardim e diâmetros de 10 a 12 cm) considerada pela NASA como purificadora do ar por remover gases tóxicos do ambiente e ainda possui habilidade de remover o sal acumulado nos seus substratos. É uma espécie resistente ao ataque de pragas e doenças. É uma palmeira que forma touceira, ou seja, ela solta várias brotações ao redor da planta mãe e vai se espalhando pelo jardim.
Imagem da Praça Linear – Item 3 da legenda
Área 4 – Ilhas modernasna Esplanada – Nas caixas de escada que dão acesso do estacionamento à esplanada e na lateral do volume dos banheiros, foram criadas jardineiras para ambientar esse espaço. As espécies vegetais cumprem a função de tirar a sensação de aridez. Palmeiras que são mais resistentes à irradiação da laje e à forte insolação foram dispostas para marcar verticalmente essas ilhas. Espécies que proporcionam volumes e formas definidas, como o Viburno, preenchem toda área das jardineiras de forma também a evitar que as pessoas adentrem pelo jardim. As ilhas foram conformadas de modo que não se tornem barreiras ao fluxo de chegada, saída e evacuação do público, bem como a eventos e atividades que possam ocorrer na esplanada.
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Neste dia 27 de novembro, completam-se 92 anos da épica goleada do Atlético sobre o Palestra Itália, atual Cruzeiro, pelo placar de 9×2. Maior goleada do clássico até hoje, este jogo diz muito sobre o Galo e carrega uma história rica em detalhes.
“Com mais alguns ataques do Athletico, termina o jogo, às 16h50, com o seguinte resultado: Athletico (9), Palestra (2)”. Jornal Minas Gerais em 29/11/1927
Em 2017, vasculhamos a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa e construímos relatos históricos no querido Camisa Doze, do meu amigo Fael Lima. No mesmo instante, no mesmo “rastro” e trocando conhecimento, o jornalista Guilherme Frossard completou com maestria histórias fantásticas deste feito que foi o 9X2. Ao final do texto disponibilizaremos alguns documentos e os links destas pesquisas (inclusive com recortes de jornais no fim da matéria). O contexto histórico, a política do café com leite, o período do Modernismo, o voto feminino. Cabe destacar que o texto e os conteúdos históricos foram mantidos em aspas com a grafia original da época, que era bastante influenciada pela língua inglesa dos jornais americanos. Não se assustem, o nosso Atlético tinha ‘h” na sua grafia. É muita história, amigos! São 92 anos do 9X2.
O Atlético já era um jovem de 19 anos de idade convicto de seu papel na sociedade. Após interromper a sequência de títulos do América (1916-1925) em 1926, o time seguia a batalha para obter o primeiro bicampeonato da sua história. Começava ali o enfraquecimento do América e o início da rivalidade entre alvinegros e celestes. No caminho enfrentaria o Palestra Itália, atual Cruzeiro. Nesse confronto histórico o Trio Maldito formado por três doutores (2 médicos e 1 advogado) Mário de Castro (2), Jairo (3) e Said (3) fazem 8 dos nove gols daquele domingo épico e Getúlio completou a goleada. Sim, a história foi feita por amadores, que precisavam ter outra profissão e se esconder para jogar futebol naquela época. O goleiro atleticano, Oswaldo Perigoso, também foi médico e referência internacional em dermatologia.
Foto: Diário da Manhã
Oswaldo, o Perigoso
Como falamos anteriormente, o futebol na década de 20 era uma atividade não remunerada e os jogadores em grande proporção estudavam. Oswaldo, o arqueiro atleticano, além de guardar bem as traves do Atlético formou-se em Medicina e tornou-se referência em Dermatologia no Brasil. Além de escrever seu nome na história da maior goleada do clássico mineiro, Oswaldo foi reverenciado como aluno notável da UFMG e integrou a primeira turma do Corpo Docente da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais.
Perigoso jogou entre 1926 e 1930, atuou por 49 partidas, venceu 39, empatou 4 vezes e perdeu apenas 6 vezes. Oswaldo descobriu uma doença genética dominante da pele (descobridor da acroceratoelastoidose). Foi considerado o maior dermatologista das Américas de seu tempo, segundo a lista de notáveis da Faculdade de Medicina da UFMG. Assim como o Atlético, o número 1 atleticano era literalmente pioneiro em todas as suas competências.
Foto: Diário da Manhã / Betinho Marques
O Trio Maldito e seus protagonistas – O jornal Correio Mineiro de forma objetiva em 29/11/1927 descreveu o Trio Maldito: ” Said, Mário e Jairo assombraram”
Orion ou Mário?
Talvez ao ler a descrição do terceiro gol do “Athletico” pelo Diário da Manhã com os dizeres: “Com nova sahida do Palestra, o jogo esteve algum tempo equilibrado, até que, às 4,39 Said fugindo pela direita, centrou bem para Orion receber e marcar o quarto gol do Athletico” alguns possam não identificar quem era o atacante de quem não se registra nada na história. Afinal, quem era o tal Orion?
Mário de Castro tinha como obrigação cursar medicina e sua mãe exigiu: “Ou a bola ou a escola”. Mário teve que jogar escondido e para fazê-lo ousou inverter seu nome de trás para frente. Contudo, a torcida mal entendia e em vez de Oriam, ficou o tal Orion. O Doutor da bola formou-se em Medicina, negou a Seleção Brasileira, não quis ir para a Copa do Uruguai em 1930, escolheu o Atlético e a medicina. Dono da maior média de gols do Atlético com 195 gols em 100 partidas, terceiro maior artilheiro do Galo, ORION fazia que não queria jogar, fazia-se de morto e no pestanejar vazava sempre as redes adversárias.
Said e as raízes árabes
Said Paulo Arges é um dos grandes pioneiros e responsáveis pela colonização de sírios na vida atleticana. Além de ser o sexto artilheiro da história do Atlético, contar um pouco de Said contribui para entender essa influência tão viva ainda nos corredores do clube. Mantendo a tradição de acolher todos os que estão às margens, os corredores da Sede de Lourdes ainda receberam recentemente refugiados da Síria. O Atlético é sem limites, ao preto e branco não há barreiras.
Voltando a Said, o jogador atuava pelo Sport Syrio Horizontino que foi extinto. Tido como “boa praça”, Said levou consigo toda colônia sírio-libanesa para apoiá-lo. Segundo Emir Cadar, conselheiro e cônsul da Síria em Belo Horizonte, Said foi o responsável por esse amor dos árabes de Belo Horizonte pelo Galo”, declarou ao Jornal Hoje em Dia.
Com 142 gols, Said, ao contrário de Mário e Jairo que fizeram Medicina, formou-se em Direito e devido ao amor ao futebol atrasou a formatura que se deu em 1942, dez anos após o início do curso. Campeão estadual por três vezes, atuava como atacante pela esquerda e deixou seu legado ao glorioso.
Jairo levou o Galo à Zona da Mata
Jairo, que nasceu em Muriaé, foi o cérebro do Trio Maldito. Além de construir jogadas com inteligência, o atacante abriu os caminhos do futebol mineiro à Zona da Mata. No período anterior ao seu futebol, a influência do futebol carioca fazia com que os times de Belo Horizonte ficassem em segundo plano.
O doutor da bola fez correr o estado a sua categoria e o Atlético conquistou apaixonados torcedores minimizando a discrepância das influências de outros estados do Sudeste. Formou-se em Medicina e atuou entre 1926 a 1933 fazendo 122 gols com a camisa atleticana.
Mercado Central antes do fígado com jiló foi palco do 9×2
Muitos podem não saber, mas antes do famoso fígado com jiló e antes mesmo do Mercado se tornar referência turística da capital mineira, os atleticanos devem se orgulhar e alegrar a cada vez que passar pelo Mercado Central. Foi ali, no primeiro estádio do América, o melhor e mais estruturado da época, com capacidade para cerca de 5.000 expectadores, localizado na Avenida Paraopeba, hoje Avenida Augusto de Lima, que o Atlético executou a sonora e maior goleada do confronto sobre o clube que sempre pleiteou ser seu maior rival.
Belo Horizonte, a primeira eleitora do Brasil e as mulheres no 9×2
“E finalmente amanhã, que os apreciadores do futeból vão apreciar uma boa partida entre os quadros dos clubs Athletico e Palestra, no campo deste. (…) A prova dos primeiros quadros (*) será às 15 horas em ponto. As senhoras e senhoritas não pagarão entradas” –publicou o “Correio Mineiro” no sábado, véspera do jogo.
Belo Horizonte era uma cidade em construção. A década de 20 remetia ainda aos reflexos da primeira grande guerra. Na música, Pixinguinha encantava com seu choro. O país respirava os ares do Modernismo, após o advento da Semana da Arte Moderna que quebrava conceitos e paradigmas.
O Brasil comemorava um grande passo para o sufrágio universal (voto de todos), Celina Guimarães Viana uma professora de Mossoró, cidade do interior do Rio Grande do Norte, teve seu nome incluído na lista de eleitores do Estado, fato ocorreu no dia 25/11/1927, dois dias antes da maior goleada atleticana sobre o mais novo postulante a rival. O Atlético que sempre teve desde Alice Neves sua torcida representada por mulheres, não podia se furtar a contextualizar esse momento histórico do país. Ressalta-se que o voto feminino foi, contudo, somente conquistado em 1932 com Getúlio Vargas no poder, após a decadência da política do café com leite (revezamento entre paulistas e mineiros no governo do país).
O período marcava uma afirmação feminina também na participação dos jogos de futebol, conforme destacado abaixo:
“O nosso mundo desportivo teve, anteontem, uma de suas melhores tardes, com o ‘match’ entre o Club Athletico Mineiro e a S. S. Palestra Italia, para a disputa da semi-final do campeonato da cidade. Jogo de grande responsabilidade para ambos os contendores, o encontro de domingo foi, como se esperava, muito renhido, apresentando lances de grande emoção. As archibancadas e logares adjacentes do ‘stadium’ do America F. C., onde se verificou a lueta, achavam-se repletos de ‘torcedoras’, salientando-se o elemento feminino, cuja ‘torcida’, commandada pelas senhoritas Nenem Alluoto e Horizontina Federiel, respectivamente, rainha e grã-duqueza dos sports de Bello Horizonte, foi das mais calorosas e enthusiasticas. Pela segunda vez, coube ao Club Athletico Mineiro, com o resultado da movimentada pugna de domingo, o título de campeão de Bello Horizonte”
Telegrama de reconhecimento da derrota
Em 29/11/1927, o Diário de Minas informou em sua nota esportiva os seguintes dizeres: “O Athletico vence brilhantemente o Palestra pela contagem de 9X2. ” Essa foi a abordagem do jornal sobre a vitória atleticana sobre o rival naquele dia.
Percebe-se claramente que todo o contexto e linguagem dos periódicos passam por termos rebuscados e com influências dos jornais americanos, inclusive, o Atlético da época era grafado com “h”. Para não restar dúvidas da veracidade do jogo, os registros da época relataram da seguinte forma o reconhecimento cruzeirense da façanha atleticana (vejam os recortes):
Após o “match” a diretoria do Palestra enviou um cordial reconhecimento de derrota e recebeu tão logo a resposta educada do presidente atleticano Leandro Castilho de Moura Costa, conforme registro do Diário de Minas (ver tira abaixo) de 29/11/1927: “A S.S Palestra Itália enviou, ante-hontem, à tarde, o seguinte telegrama ao presidente do C. Athletico Mineiro: < Dr. Moura Costa. Nome directoria felicito Athletico Mineiro brilhante victoria hoje. (a) Arcelus, secretário. Este despacho foi respondido com os seguintes termos: <Palestra Italia. Club Athletico Mineiro agradece gentileza tellegramma felicitações victoria.”
Jantar de comemoração
Vale ressaltar que não era hábito a circulação de jornais nas segundas-feiras, desta forma, a repercussão da vitória ocorreu só na terça-feira. Depois da grande vitória o Atlético, que ainda não era o Galo de Zé do Monte, comemorava o triunfo com o seguinte destaque dos periódicos:
“Terminando o jogo, a torcida do Athletico, entregou-se às mais expansivas manifestações (…) pela victoria do seu clube. Foram erguidos vivas ao Athletico, ao Dr. Leandro de Moura Costa, presidente do clube vencedor, e ao Correio Mineiro. Às 19 horas, no restaurante Guarany, foi offerecido um jantar aos vencedores do jogo de domingo, tomando parte na ágape aos 22 jogadores triumphadores, e Dr. Moura Costa, e varios athleticanos veteranos. O jantar decorreu em um ambiente de cordialidade, sendo trocados varios brindes” – concluiu a matéria extensa do “Correio Mineiro” sobre o campeão mineiro de 1927.
Mais destaques da imprensa
O Diário da Manhã, em 29/11/1927, descreveu a vitória atleticana da seguinte maneira:
“O Athletico, ante-hontem, obteve linda e facil victoria sobre o Palestra”. O subtítulo: “Depois de haverem resistido no primeiro tempo, os palestrinos deixaram-se abater fragarosamente”.
“Mais solido e articulado, não foi dificil ao Athletico abater o Palestra Italia, cujo team, além de aparecer integrado com dois elementos secundarios (reservas), desorientou-se por completo, empregando um jogo violento e prejudicial, que lhe valeu a derrota. O team preto e branco deve especialmente a victoria, à magnifica atuação de sua linha atacante, devendo-se accrescentar que tambem alguns jogadores do Palestra collaboraram nesse triumpho, pois tiveram uma marcação defeituosa e auxiliaram mal o ataque, à excepção do centro médio Osti, que, pelo menos, nesse particular, portou-se com alguma habilidade” – resume o “Diário da Manhã”.
Foto: Guilherme Frossard – Taça de 1927
Escalação: Athletico 9 x 2 Palestra
A escalação do Atlético, bicampeão mineiro de 1927, no 9×2 foi: Oswaldo Perigoso, Brant e Chiquinho; Franco, Ivo e Hugo; Getulio, Getulinho, Said, Mário de Castro e Jairo.
“E sem mais nada digno de interesse, o juiz apitou, dando por fim o jogo, às 16h50, com o seguinte resultado: Athletico (9), Palestra (2) ”. Jornal Correio Mineiro em 29/11/1927
O Brasil possui cerca de 12% das reservas de água potável no mundo. Parte destas reservas se encontram nas bacias São Francisco, Paraná e 60% da bacia amazônica, mas a distribuição deste bem universal é desproporcional. Além disso, mais de um bilhão de pessoas não têm acesso à água no mundo. Diante deste cenário, desde a Copa de 2014, os novos estádios se preocupam em não andar contra as tendências econômicas e sustentáveis. Não seria diferente na nova casa do Galo que será moderna e responsável socialmente.
Vamos de forma breve, elucidar o atleticano sobre os dados mais relevantes e o processo racionalizado de aproveitamento de águas das chuvas na Arena MRV. O empreendimento possuirá um Sistema de Coleta e Aproveitamento de Água Pluvial proveniente do sistema de drenagem pluvial da cobertura, cujo volume atende parcialmente à demanda de água para fins não potáveis.
“A água proveniente do sistema será utilizada para abastecimento das bacias sanitárias e mictórios do empreendimento, além da irrigação do campo esportivo. Todas as instalações do empreendimento serão projetadas e executadas de acordo com as exigências da norma brasileira NBR 15527/2007Água de chuva – Aproveitamento de coberturas em áreas urbanas para fins não potáveis e com as exigências e recomendações usuais da concessionária de água e esgoto. ”
Parâmetros – Área de captação da cobertura – 18.550,45m²
O escoamento superficial considerado para os cálculos foi de 95%, ou seja, como uma área de concreto, com intervenção humana no trecho da esplanada, pouco desta água infiltra no solo, sendo direcionada às galerias e canaletas pluviais. Os cálculos sobre as precipitações (chuvas) foram balizados com base no histórico da cidade de Belo Horizonte por tabelas normatizadas.
– Curiosidades e Avaliação da Eficiência do Sistema
O volume total dos reservatórios do sistema de coleta e aproveitamento de água pluvial é de 1.050 m³ (640 m³ água de reuso + 320 m³ reaproveitamento + 90 m³ irrigação do campo). O cenário adotado para avaliação dos reservatórios do sistema de aproveitamento foi:
1 – Funcionamento da Sede Administrativa: 30 dias/mês (22,66 m³ x 30);
2 – Irrigação do campo: 30 dias/mês (90 m³ x 30);
3 – Grandes eventos e jogos: 06 eventos/mês (497,473 m³ x 06).
4 – Demanda constante total mensal = 6364,64 m³ – soma dos itens 1,2 e 3 = 6.364.640 L ou 212.154,66 L/dia
5 – Eficiência do Aproveitamento de 40,24% no ano – Número só não é melhor devido aos meses de pouca chuva entre abril a setembro)
6 – Dias de jogos/eventos 421.368 L/dia ou 421,368 m³, o dobro dos dias sem eventos
– Resumo
A Arena MRV aproveitará ao máximo o potencial hidrológico para reutilizar a água das chuvas desde a irrigação do campo, mas também para o uso em banheiros, bacias sanitárias e mictórios. Como sabido, apenas 3% da água do mundo é potável e 90% desta está congelada nas geleiras ou em lençóis freáticos, sendo o Brasil, apesar de tudo, privilegiado com o bem que não é inesgotável, mas que precisa ter seu uso consciente e melhor distribuído. A Arena MRV projeta um empreendimento funcional em consonância com os recursos naturais, em simbiose com a modernidade e em harmonia com as necessidades da cidade.
Na próxima matéria do FG, mais detalhes e curiosidades sobre o projeto da casa atleticana, fiquem atentos! Não percam!
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Redação Do Fala Galo, em Belo Horizonte 14/11/2019 – 09h15
Em entrevista ao Fala Galo, o ex Presidente e atual Prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil falou sobre a Arena MRV. “Graças a Deus já está tudo resolvido, já está fora da Prefeitura o estádio, todas as pendências já foram respondidas.”
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