Atlético x Fluminense: curiosidades, retrospecto completo do confronto quase centenário

Foto: Pedro Souza / Atlético

Por: Thiago Florêncio

Antes da bola rolar neste sábado (12), na Arena MRV, vale revisitar o que Atlético e Fluminense já construíram um contra o outro. São quase cem anos de história, com direito a decisão de título nacional, goleadas para os dois lados. Confira!

Um retrospecto que pende para o lado alvinegro

No total, os dois clubes já se enfrentaram 110 vezes. A vantagem é do Atlético: 44 vitórias, contra 35 do Fluminense, com 31 empates completando a conta. Recortando apenas o Brasileirão, o retrospecto segue favorável ao Galo. Foram 68 jogos, com 28 vitórias atleticanas, 20 empates e 20 triunfos do Tricolor carioca. Jogando em Belo Horizonte, a vantagem se acentua ainda mais. Em 60 partidas como mandante, o Atlético venceu 31 vezes e perdeu apenas 12.

Primeiro confronto, com Jules Rimet na arquibancada

O primeiro capítulo dessa rivalidade foi escrito em 16 de agosto de 1930, num amistoso disputado no lendário estádio Antônio Carlos. O jogo terminou empatado em 1 a 1, com gols de Geraldino, para o Atlético, e Zé Maria, para o Fluminense. A partida teve um espectador de peso nas arquibancadas: Jules Rimet, então presidente da FIFA e criador da Copa do Mundo.

Em mata-mata, o Galo nunca perdeu a série

Esse é talvez o dado mais expressivo de toda a rivalidade: em confrontos eliminatórios, o Fluminense nunca conseguiu tirar o Atlético de uma competição.

A lista de eliminações começou na Copa CONMEBOL de 1992. Na ida, em Juiz de Fora, o Fluminense levou a melhor por 2 a 1. Mas o Galo respondeu no Mineirão, em 12 de agosto de 1992, com o já conhecido 5 a 1, gols de Moacir (2), Aílton (2) e Vônei, avançando na chave e seguindo até erguer o primeiro título internacional da história do clube. No ano seguinte, o roteiro se repetiu: o Atlético venceu por 2 a 0 no Mineirão e fechou a classificação nos pênaltis, novamente pela Copa CONMEBOL.

Já em 2000, o Galo avançou às quartas de final da Copa do Brasil após dois empates diante do Fluminense, 3 a 3 no Maracanã e 2 a 2 na volta, se classificando pelo número de gols marcados fora de casa. Em 2021, novo mata-mata, mesmo desfecho: vitórias por 2 a 1 no Maracanã e 1 a 0 no Mineirão levaram o Atlético às semifinais, em uma campanha que terminaria com o segundo título da Copa do Brasil na história alvinegra.

Deyverson comemorando um dos gols da vitória diante o Fluminense, pela Libertadores de 2024.
Deyverson comemorando um dos gols da vitória diante o Fluminense, pela Libertadores de 2024. (Foto: Pedro Souza / Atlético)

O capítulo mais recente veio na Libertadores de 2024, primeira vez que os clubes se cruzaram na competição. O Fluminense, então atual campeão continental, venceu a ida por 1 a 0 no Maracanã. Mas o Galo buscou a virada na Arena MRV, com dois gols de Deyverson, um deles de assistência de Hulk, e avançou por 2 a 1 no placar agregado diante de mais de 43 mil torcedores.

As maiores goleadas, dos dois lados

A goleada mais lembrada pela torcida alvinegra é o 5 a 1 de 1992, já contextualizado acima. Mas o retrospecto tem um capítulo espelhado, e bem mais antigo: em 13 de janeiro de 1937, no estádio das Laranjeiras, o Fluminense aplicou 6 a 0 no Atlético, pela Copa dos Campeões, com gols de Hércules (3), Russo (2) e Romeu. Foi a estreia do Galo naquele torneio, e mesmo com a goleada sofrida, o Atlético seguiu na competição e viria a ser o campeão, com o próprio hino do clube guardando essa história: o verso “somos Campeões dos Campeões” nasceu justamente da conquista de 1937.

Há ainda o jogo com mais gols somados na história do confronto: o 5 a 3 do Fluminense, em 8 de junho de 2022, no Maracanã, que também marcou o 100º encontro entre os clubes. Jhon Arias, Germán Cano (duas vezes), Samuel Xavier e Luiz Henrique fizeram para o Flu. Hulk, Jair e Eduardo Sasha descontaram para o Galo. O resultado encerrou um jejum de quatro anos do Fluminense sem vencer o Atlético.

Os duelos mais recentes

De 2021 para cá, o clássico rendeu capítulos de sabores opostos. Em novembro de 2021, o Atlético venceu por 2 a 1 no Mineirão, com dois gols de Hulk, um deles de pênalti, numa vitória que praticamente selou o título brasileiro daquele ano, encerrando um jejum de cinco décadas do clube no Brasileirão. Em 2022, veio o já mencionado 5 a 3 para o Fluminense.

Em 2023, o roteiro se dividiu: empate em 1 a 1 no primeiro turno, em Volta Redonda, já que o Maracanã passava por reparos, e vitória do Atlético por 2 a 0 no returno, na Arena MRV, com dois gols de Paulinho. Em 2024, a eliminação do Fluminense pelo Atlético na Libertadores, detalhada acima. E em outubro de 2025, o Fluminense goleou por 3 a 0 no Maracanã, com gols de Samuel Xavier, Kevin Serna e Keno.

Jogadores que já vestiram as duas camisas

A rivalidade também rendeu trocas de figurinha ao longo das décadas. Fred, ídolo máximo do Fluminense e bicampeão brasileiro pelo clube carioca em 2010 e 2012, defendeu o Atlético entre 2016 e 2018. Gustavo Scarpa, revelado em Xerém, hoje veste a camisa alvinegra. Ronaldinho Gaúcho, ídolo do Galo na conquista da Libertadores de 2013, teve passagem breve e sem gols pelo Fluminense em 2015. Keno e Guga foram campeões pelo Atlético em 2021 e depois campeões da Libertadores de 2023 pelo Fluminense. Magno Alves, Pierre, Rafael Moura, Ézio e Júnior César completam a lista de quem transitou entre as duas camisas.

Hulk: artilheiro do confronto pelo Galo, hoje no Fluminense

Nenhum jogador marcou mais gols nesse duelo do que Hulk: são 7 gols contra o Fluminense ao longo da carreira, o que faz dele o artilheiro histórico do confronto.

A maior parte dessa conta foi construída em cinco temporadas de Atlético, entre 2021 e 2026, quando o camisa 7 disputou 311 partidas, marcou 140 gols e distribuiu 56 assistências, além de erguer oito títulos, entre eles o Brasileirão e a Copa do Brasil de 2021 na mesma temporada, feito inédito no clube. Também é o maior artilheiro alvinegro na história da Libertadores, com 16 gols.

Hulk: artilheiro do confronto pelo Galo, hoje no Fluminense
Eterno vingador alvinegro, Hulk se transferiu para o Fluminense nesta temporada. Montagem: (Pedro Souza / Atlético e Marcelo Gonçalves / Fluminense FC)

Em maio de 2026, Hulk deixou o Atlético e assinou com o Fluminense, com contrato até o fim de 2027. O acordo de saída incluiu uma cláusula de gentileza que o impede de enfrentar o Atlético em jogos disputados em Belo Horizonte durante toda a temporada de 2026, motivo pelo qual o ídolo alvinegro, hoje sob o manto tricolor, some da lista de relacionados do Fluminense neste sábado.


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