Foto: Pedro Souza
Por: Angel Baldo
A Arena MRV é, inegavelmente, o maior ativo do Clube Atlético Mineiro na atualidade. No entanto, o que deveria ser a mina de ouro do clube ainda enfrenta desafios contratuais herdados de sua concepção. Em entrevista recente ao Sports Market Makers, o diretor financeiro do Galo, Thiago Maia, abriu o jogo sobre a realidade financeira da instituição e admitiu que os valores dos naming rights do estádio não condizem mais com a realidade do mercado atual.
O DESAFIO DO ENDIVIDAMENTO DE R$ 1,7 BILHÃO
O cenário apresentado pelo dirigente é de cautela extrema. Com uma dívida total que atinge a marca de R$ 1,7 bilhão, Thiago Maia classificou o montante como “quase impagável” de forma orgânica. A solução, segundo ele, reside na capacidade de transformar a Arena em uma máquina de fazer dinheiro, algo que ele acredita que ainda está apenas começando.
“O Galo mudou de patamar, mas ainda é um clube muito complexo. Mas vem aumentando muito suas receitas e, como comentei anteriormente, para mim a Arena está engatinhando. A Arena já é um sucesso, já tem muitas receitas que o clube nunca teve”, afirmou Maia.
NAMING RIGHTS: UM CONTRATO DE OUTRA ERA
Um dos pontos centrais da discussão é o contrato com a MRV&CO. Firmado quando o estádio era apenas um projeto no papel, o acordo prevê o pagamento de R$ 71,7 milhões por 10 anos — o que equivale a cerca de R$ 9,1 milhões anuais após correções. Quando comparado ao mercado atual, onde o Palmeiras e o São Paulo negociaram valores anuais de R$ 50 milhões e R$ 25 milhões, respectivamente, a defasagem fica evidente.
O diretor explicou a origem do contrato e a necessidade de revisão:
“O naming rights é um contrato de 10 anos, passaram-se três, então faltam sete anos. É um contrato que… estamos no mercado avaliando possibilidades, porque quando o Galo fez os naming rights da Arena, não existia nem estádio, tinha um terreno. Foi realmente por causa da família Menin que teve os naming rights pro auxílio da construção do estádio. E hoje os valores já estão defasados.”
A ARENA COMO SOLUÇÃO DOS PROBLEMAS:
Inspirada no modelo multiuso do Allianz Parque, a Arena MRV busca ser mais do que um campo de futebol. Thiago Maia destacou que a consultoria prestada pelo pessoal do Palmeiras ajudou a moldar um estádio pronto para grandes espetáculos, com conectividade de ponta e tecnologia facial.
“Acredito que a solução do problema do Galo, que pode ser de surpresa aí, é, sem dúvida, a monetização da Arena, que é uma arena multiuso. Show aqui na Arena é um espetáculo, o conforto da Arena é um outro nível de estádio em relação ao que estamos acostumados no Brasil.”
| Estádio | Patrocinador | Valor Anual (Estimado) |
| Nubank Parque (Palmeiras) | Nubank | R$ 50,2 milhões |
| MorumBIS (São Paulo) | Mondelez | R$ 25,0 milhões |
| Neo Química Arena (Corinthians) | Hypera Pharma | R$ 15,0 milhões* |
| Arena MRV (Atlético) | MRV&CO | R$ 9,1 milhões |
Apesar do “processo duro” que o clube enfrenta para sanear suas contas, a diretoria vê na Arena a luz no fim do túnel. Com o fim próximo dos contratos de sector naming rights (que duram mais três anos), o Atlético terá a oportunidade de renegociar espaços valiosos dentro da Arena, buscando cifras que façam jus à sua moderna infraestrutura.
“Estou otimista, mas é um processo duro, não vou prometer que o Galo vai ser uma máquina de vencer tudo, mas acredito muito no projeto, as pessoas envolvidas são muito sérias, então acho que o Galo está em boas mãos”, finalizou o diretor.

