CEO do Atlético detalha SAF; Confira valores, percentuais, investimento no futebol e mais informações sobre o processo
Por Hugo Fralodeo
Na manhã desta quinta-feira (13), Bruno Muzzi, o CEO do Atlético, concedeu entrevista coletiva na Sede de Lourdes, onde deu mais detalhes sobre o processo de transformação do Clube em SAF, em votação do Conselho Deliberativo marcada para acontecer daqui uma semana, na próxima quinta-feira, dia 20.
Em mais de uma hora esclarecendo dúvidas dos jornalistas presentes, Muzzi deu mais detalhes sobre os valores, o aporte imediato, os percentuais, valuation, investimento no futebol e plano de pagamento de dívidas.
Aporte e plano de pagamento de dívidas
“O aporte dentro da SAF é de fato R$ 913 milhões, porque a SAF está deixando de pagar os R$ 313 milhões aos seus credores (4 R’s) e convertendo isso em participação. Os outros R$ 600 milhões, assim que a transação for fechada, nós teremos disponíveis à vista e iremos começar a fazer as negociações com todos os credores. O nosso planejamento é que, em 2024, 2025 e 2026, nós consigamos manter a SAF e seu endividamento equilibrados. Nós vamos dar prioridade aos bancos, aos agentes e aos clubes, evitando processos na FIFA, tentando reduzir a taxa de juros, alongando um pouco mais a dívida”.
Percentuais e divisão da ‘Galo Holding’
“Dos R$ 913 milhões, são R$ 313 milhões da conversão, R$ 400 milhões vindo do veículo dos R’s, nós já temos confirmado outro veículo de R$ 100 milhões e estamos no processo de captação dos outros R$ 100 milhões, que é o Fundo de Investimento dos Atleticanos, e, dependendo do montante que a gente chegar, teremos outro investidor para completar e chegar aos R$ 100 milhões. Na estrutura da SAF temos 25% da Associação e 75% da Galo Holding. Dentro da Galo Holding, temos planejados três veículos: um com R$ 713 milhões e dois com R$ 100 milhões cada“.
Conta para o valuation
“O valuation é R$ 2,1 bilhões. A SAF está assumindo toda a responsabilidade da dívida. Quando você subtrai o R$ 1,8 bilhão da dívida dos R$ 2,1 bilhões de valuation, chega ao capital que a Associação tem, que são R$ 300 milhões. Quando vem um aporte novo de R$ 913 milhões, você passa a ter um novo capital (ou patrimônio líquido) dos acionistas de R$ 1,2 bilhão. Então, a conta é: R$ 300 milhões e R$ 900 milhões sobre R$ 1,2 bilhão. O que define participação acionária é o capital do acionista, a dívida não entra nessa conta. Por isso, 25% para a Associação e 75% da Galo Holding”.
Estrutura da SAF e conseho de administração
“A SAF terá um conselho de administração formado por sete pessoas: duas indicadas pelo Conselho Administrativo do Atlético e cinco pela Galo Holding, que farão a eleição da diretoria executiva da SAF. A extrutura que estamos debatendo é que tenhamos um CEO e um executivo junto com o diretor de futebol, com as decisões do futebol sendo dele, mas que ele respeite os limites orçamentários”.
Transparência
“Muito tem se cobrado da gente nas redes sobre transparência no processo da SAF. A gente começou o processo há um ano e meio, com diversas idas e vindas. Há duas quintas-feiras foi que houve esse novo rumo de criação de SAF dos Atleticanos, o que teríamos feito há mais tempo se tivéssemos visto isso lá atrás. A gente anunciou logo na sexta-feira seguinte, e eu passei a semana dando entrevistas e começamos essa jornada nessa semana. O que é possível passar, nós estamos tentando fazer o mais transparente possível. Estamos pensando, não é cravado em pedra, ter um departamento de relacionamento de investidores, onde a gente possa soltar os números e balanços a cada trimestre”.
Conselho de torcedores
“O conselho de torcedores é uma coisa que está em moda, inclusive na Europa. Tem uma série de critérios: precisa ter membros eleitos para esse conselho, sendo necessário preencher dez critérios para se tornar um membro, esses membros apontam dois conselheiros que possam participar de reuniões na SAF, que têm temas definidos e são quatro encontros anuais. Tem que ver se isso é possível, mas eu, particularmente, vejo com muito bons olhos”.
Limite de gastos e folha salarial competitiva
“O mais importante é que nós vamos conseguir manter uma folha de futebol competitiva, hoje na casa dos R$ 200 e poucos milhões (ao ano). A nossa ideia é ter um teto orçamentário e não passar de um valor que está sendo determinado – entre 40 e 42% (do faturamento) – e estamos também tentando colocar um limite inferior nessa folha, imagino que na casa de 30%, para que a gentepossa variar. (…) Assim a gente consegue manter o Atlético sustentável, mas com uma folha super-competitiva, para que a gente possa competir em alto nível nesses primeiros três, quatro anos”.
Investimento no futebol
“Esse planejamento que estamos fazendo, que conta o aporte, com o faturamento, com a Arena entrando em opração completa, com receitas de liga…, a gente está colocando tudo em um bolo só. Folha de pagamento é fluxo de caixa operacional, nós vamos manter nessa casa. E temos o fluxo de caixa de investimentos, que é tudo aquilo que é relaconado a compra e venda de jogadores. Nós estamos prevendo, para 2024, mais ou menos R$ 40 milhões. Esse investimento é o que se gasta em aquisição, o que se paga de comissão, luvas e também a venda de jogadores. Vamos supor que eu queira comprar um jogador de R$ 100 milhões, se naquele ano eu tenho um pagamento de 40% (R$ 40 milhões), eu posso fazer esse investimento”.
Investimento nesta janela de transferências
“A gente tem conseguido respeitar isso nesse ano. Nós fizemos movimentos no início do ano e fomos adequando, ao longo desse primeiro semestre, para manter a folha operacional dentro dos limites. A gente só vai poder usar a janela (de transferências) se abrir espaço na folha para poder fazer esse investimento. A SAF proporciona ao Atlético uma sustentabilidade, mas mantendo uma folha competititva e investimento no futebol, isso é o que eu acho mais importante”.
Controle de gastos em contratações
“O investimento no futebol, se pegar os últimos 10, 15 anos, tem uma correlação muito forte com o resultado. Não quer dizer que é 100%, nós tivemos investimentos em 2022 e não tivemos bons resultados, este ano também estamos com bons investimentos e não estamos tendo aqueles resultados, mas a probabilidade é que, mantendo bons investimentos, tem bons resultados. A gente precisa ser eficiente nesses investimentos. Se não conseguirmos resultados, nós não vamos variar a nossa orçamentação, vamos ter que segurar a pressão externa, porque não podemos cometer nenhum tipo de excesso, para poder manter o Atlético sutentável”.
Política de contratação de jogadores
“Quando você compra um jogador, tem duas maneiras: pagar um direito de tranferência caro em um jogador mais novos, com um salário e luvas menores; e a outra maneira, que o Atlético tem feito nesses últimos anos, que não paga praticamente nada pelo direito de transferência, mas tem um investimento de luvas, salários e comissão, que custa o mesmo em um prazo de contrato, mas um jogador é mais novo e o outro é mais velho. Era difícil conseguir jogadores mais novos sem dinheiro. Com a SAF, vamos ter um pouco mais de flexibilidade. A gente pretende ter um equilíbrio maior”.
Confira a entrevista coletiva de Bruno Muzzi, CEO do Atlético, na íntegra: