A Era pós-Hulk: Eduardo Domínguez projeta reconstrução do Atlético e aponta caminhos
Foto: Pedro Souza / Atlético-MG
Por: Angel Baldo
O Atlético vive um dos momentos mais desafiadores de sua história recente. Após o empate amargo em 2 a 2 contra o Juventud-URU, o técnico Eduardo ‘Barba’ Domínguez teve que encarar microfones e perguntas que iam além das quatro linhas. O tema central não era apenas o tropeço em Montevidéu, mas sim o vazio deixado por Hulk, que foi oficialmente anunciado como novo reforço do Fluminense.
Em entrevista coletiva, o comandante argentino, carinhosamente apelidado de “El Barba”, não fugiu da responsabilidade e detalhou como pretende reorganizar o elenco sem o seu principal protagonista.
O DESAFIO DE ENCONTRAR NOVOS LÍDERES:
Domínguez foi enfático ao afirmar que, embora a figura de Hulk fosse imponente, o sucesso do Atlético não pode depender de um único nome. Para o treinador, a solução para a ausência do camisa 7 passa por um fortalecimento psicológico do plantel.
“Sabemos da dificuldade que a ausência dele causa, mas somos um grupo, não somos um jogador. Precisam aparecer novos líderes. A fortaleza mental e grupal será a chave para superar essa saída. Temos que reconstruir esse lado da liderança”, afirmou Domínguez.
O treinador entende que o momento é de transição. Sem o “Super-herói”, jogadores com perfil de liderança — como os experientes do setor defensivo ou os novos talentos que pedem passagem — precisarão assumir o protagonismo no vestiário e no campo para que o Galo não perca sua identidade competitiva.
SITUAÇÃO CRÍTICA NA COPA SUL-AMERICANA:
O impacto da saída de Hulk coincide com um momento turbulento na temporada. O empate no Estádio Centenário deixou o Atlético em uma situação desconfortável no Grupo B da Copa Sul-Americana. Com apenas quatro pontos, o Alvinegro ocupa a terceira posição, vendo o Juventud com cinco e o líder Cienciano-PER com oito pontos.
A “reconstrução” mencionada por Domínguez precisa ser imediata, já que o time tem pouco espaço para erro se quiser avançar para a próxima fase da competição continental.
O LEGADO DO ÍDOLO E O ADEUS FINAL:
Enquanto o técnico projeta o futuro, a torcida ainda digere os números impressionantes deixados pelo atacante de 39 anos. Em 311 partidas, Hulk balançou as redes 140 vezes e serviu seus companheiros com 56 assistências. Mais do que estatísticas, ele deixa um rastro de oito troféus, incluindo o histórico “Triplete Alvinegro” de 2021 (Brasileiro, Copa do Brasil e Mineiro).
A despedida oficial do craque já tem data marcada: será no dia 10 de maio, na Arena MRV, antes do duelo contra o Botafogo pelo Brasileirão. Será o último ato de um jogador que transformou o patamar do clube e que agora desafia Eduardo Domínguez a provar que existe vida inteligente — e vencedora — após a era Hulk.