Por: Max Pereira
Os dias e semanas tipicamente atleticanos são aqueles sacudidos por crises, sejam aquelas geradas intra-muros do próprio clube, sejam aquelas produzidas e plantadas por aqueles tradicionais, incansáveis e intermináveis inimigos externos.
E, não raro e não sem razão, uma chuva de Fake News sobre o clube é despejada aqui e ali, tirando a tranquilidade do torcedor atleticano que, em sua grande maioria, infelizmente e, de forma irrefletida, tende a acreditar, a repercutir e a potencializar tudo de ruim que se fala e se escreve a respeito do alvinegro das Gerais. E haja Fake News.
Uma “noticia “sobre uma mais que improvável briga entre Hulk e Coudet, quando os dois profissionais teriam chegado às vias de fato no vestiário atleticano logo após o empate do Atlético com o Santos na Vila Famosa, tomou conta das redes sociais nos dois últimos dias. Uma clara e ridícula Fake News atribuída maldosamente a um jornalista não atleticano e que não goza de muito prestígio junto ao torcedor alvinegro. Matéria mal feita, amadora, onde se destacava o nome do tal jornalista escrito com grafia errada. Lamentável.
É bem verdade que nos dias atuais o ser humano em geral tem se mostrado bastante intolerante e irascível e os discursos de ódio têm obtido uma guarida indesejável. Há uma tendência em acreditar acriticamente em tudo de ruim que se fala ou se escreve a respeito de alguém que não lhe é simpático.
E, claro, em receber como verdade absoluta e incontestável tudo de bom que se fala ou se escreve em relação a alguém que se gosta. O gostar ou o não gostar de alguém ou de algo, retira a isenção do julgador.
Não bastasse isso, o Glorioso quase sempre se mostrou impotente na missão de blindar o clube e, principalmente seus jogadores e seus treinadores.
Assim, tanto o fogo amigo disparado por vezes nos interiores atleticanos, seja em razão da incúria de algum dirigente, seja em função da crônica e histórica turbulência politica do clube ou seja ainda em consequência do também recorrente mau trato do futebol ou de eventuais escolhas equivocadas, quanto as armadilhas, o disse -me disse e os ataques promovidos por agentes externos, quase sempre encontram campo fértil para florescer em uma velocidade de dar inveja às ervas daninhas e às pragas nas plantações.
Um clube grande como o Atlético, dono de uma torcida passional e apaixonada, tão gigante quanto o clube dono de seu coração, tende a ser naturalmente devorado por crises e cobranças nada racionais.
“Times do povo são assim” já diziam desde tempos quase imemoriais torcedores e especialistas no esporte bretão que sabiam perfeitamente o quanto os fatores socioeconômicos e culturais do país dão o tom e a coloração do esporte praticado no Brasil e, óbvio, também tingem e dão o matiz à relação clubes/torcida.
No caso do Atlético, porém, as coisas na maioria das vezes sempre fugiram da normalidade e do controle do clube, transformando-se naquelas recorrentes e intermináveis crises, onde tudo parece terra arrasada.
Para o atleticano sempre foi 8 ou 80. Não existe meio termo. Presta ou não presta. E, quase sempre, nada presta. A impaciência, irmã da intolerância e prima do ódio, tempera as emoções.
Se um dirigente atleticano escutasse o torcedor antes de tomar uma decisão sobre quem contratar, quem vender ou quem emprestar ou ainda sobre quem dispensar, não restaria no clube e talvez não existisse no planeta um único atleta para vestir a camisa preta e branca do Galo mais querido e mais famoso do mundo e, tampouco, um treinador em condições de dirigir a equipe atleticana.
E, como um treinador escalaria o time alvinegro se ele decidisse consultar o torcedor carijó? Simplesmente não escalaria, tamanha a diversidade de times e de esquemas. Não há como agradar a gregos e troianos. Aliás, não há como conduzir um clube ou comandar um time de futebol ao sabor do gostar ou do não gostar de alguém.
Ou seja, os sentimentos, as preferências pessoais e as idiossincrasias de quem quer que seja, dirigente, treinador, funcionário ou torcedor não podem ser determinantes de qualquer decisão ou medida a ser tomada.
Não há como conduzir nenhuma empresa, entidade, órgão publico ou clube de futebol sem uma gestão profissional. E a gestão de um clube de futebol (SAF ou Associação) nos dias de hoje exige uma expertise cada vez mais sofisticada, tamanhas a variedade e a complexidade das variáveis envolvidas.
Qualquer contratação tanto pode se tornar um sucesso extraordinário quanto um fracasso retumbante, independentemente de quem seja o profissional, seu histórico, carreira, grife ou origem. O futebol não é e nunca foi uma ciência exata.
Cabe ao Atlético prover o profissional contratado de condições para que ele se adapte ao clube da melhor maneira possível e consiga entregar aquilo que dele se espera.
E, mesmo tendo o clube cumprido a sua obrigação e dado ao seu contratado toda a estrutura necessária, ele pode não dar certo. Jogador caro é aquele que, independentemente do que o clube gastou em sua contratação e do seu salário, não conseguiu render o esperado.
E, jogador barato é aquele que, independentemente do valor que os seus direitos econômicos custaram e do que ele ganha, consegue jogar aquilo que dele se espera.
Em inícios ou meios de temporada e durante as janelas de transferência as especulações sobre saídas e chegadas aumentam em progressão exponencial.
E, nestes períodos em que o time atleticano se mostra irregular e as expectativas do torcedor estão baixas, outro tanto de especulações e sugestões sobre saídas e chegadas de jogadores também atinge um patamar perturbador e pouco construtivo.
Quem acompanha meus artigos, falas, lives e postagens sabe que sou avesso a especulações, particularmente aquelas que envolvem possíveis contratações, vendas e dispensas de jogadores e ou que permeiam segredos de negócio e informações estratégicas do clube.
Além disso, choca-me, embora nunca me surpreendam, varias reações virulentas em relação a determinados nomes e várias críticas disparadas sem nenhum conteúdo que as sustente.
Quase nunca o potencial midiático ou de marketing de um possível contratado é lembrado pelos críticos de plantão. A perspectiva de que um determinado profissional possa entregar muito ao clube tanto dentro como fora do campo quase nunca é considerada.
A fábrica de crises e de problemas chamada Atlético precisa urgentemente de contratar bombeiros não só para apagar os incêndios, mas também para desenvolver as medidas preventivas necessárias. E, além dos soldados do fogo profissionais que o clube deve fazer integrar o seu corpo de funcionários, o voluntariado também é aceito e muito bem vindo.
Cabe ao atleticano, aquele que já venceu o vento, que quando embala, abraça, empurra, joga junto com o time e amarra as chuteiras dos jogadores com as suas próprias veias torna o alvinegro invencível e-mais Glorioso ainda, se voluntariar para este trabalho.
Para começar, parar de repercutir as noticias ruins e, principalmente as Fake News, se permitindo apenas fazer criticas construtivas e pró-ativas. Dado este primeiro passo, o resto será muito mais fácil.
Entre Fake News e desafiando a capacidade do atleticano de acreditar o Galo vira a chave mais uma vez, decide a sua vida fora de casa em mais um mata mata da Copa do Brasil e carrega os sonhos e milhões de galistas apaixonados espalhados em todo o planeta.
TEXTO OPINATIVO, COM ISSO, NÃO REPRESENTA, NECESSARIAMENTE A OPINIÃO DO PORTAL FALAGALO.