No PODFALAGALO, Marques conta a história da troca de números com Valdir Bigode
Por: Hugo Fralodeo
A camisa 9 do Atlético é como a 10 para alguns clubes. Apesar de alguns ‘caneleiros’ terem ostentado o número sagrado para o Alvinegro, a 9 é lembrada e consagrada por craques da pequena área, como Dario e Reinaldo. Quem viu Marques Batista de Abreu jogar (desfilar em campo) com o Manto, ou até quem assiste vídeos do craque, percebe que, apesar de ser um ponta-de-lança (segundo atacante ou meia-atacante, nos tempos modernos), Marques ficou eternizado no imaginário Atleticano sempre com o número 9 às costas.
Como a 9 é sinônimo de gol, poderia até ser. Afinal, o cara fez 133 por aqui e ocupa o posto de 9º maior artilheiro da história do Atlético. Entretanto, Marques nem sempre usou a camisa 9 do Galo. Quando chegou para sua primeira passagem pelo Atlético, quem usava a 9 era outro artilheiro, Valdir Bigode. Então, Marques começou com a 7. Quem te conta como e porque aconteceu a mudança, é o próprio, em sua participação no PODFALAGALO 008:
“Eu chego no Atlético em 97 e me dão a camisa 7, o Valdir Bigode camisa 9. O Valdir (era) supersticioso pra cacete. Foram três jogos eu com a 7 e ele com a 9 e a gente uma ‘água’, jogando b*** nenhuma. Aí, no clássico, o Valdir (falou): ‘Vamos tirar essa ‘inhaca’, Marques, vamos trocar as camisas’. ‘Vamo, pô. Você acha que isso muda… vamo lá’. Aí eu meti a 9 e ele a 7. Cara, nós arrebentamos o Cruzeiro. Eu acho que ele fez dois, o jogo foi 2×1, não sei. Mas nós jogamos e destruímos. E seguimos, eu com a 9 e ele com a 7, aí o time começou a ganhar”.
Marques ainda lembra o histórico pregresso da camisa 9 no Atlético, cita que a troca também rendeu frutos com o eterno parceiro Guilherme, além de contar que, após jogar com a 10 por dois jogos, nunca mais abriu mão da 9 do Atlético:
“E eu virei o 9, era um 9 que jogava na beirada. Historicamente aqui no Atlético, o 9 era o cara da área, que vai meter gol, tanto é que o Guilherme chega e fica com a 7. Os melhores momentos dele foram com a 7, porque a 9 era minha. E eu não dava a 9 pra ninguém. Eu lembro que teve um atleta que chegou aqui, o Paulinho McLaren, em 98. E o Paulinho (era) supersticioso como o Valdir. O Valdir tinha saído e chegou o Paulinho. O Paulinho por onde passou era 9, aí ele veio todo humilde: ‘Pô, Marques, eu tenho um negócio com a camisa 9…’ Eu falei: ‘Paulinho, se você acha que isso vai andar, usa a 9’. Aí, eu não sei quem tava com a 10, mas eu falei ‘então vou pegar a 10’. Joguei uns dois jogos com a 10, depois o Paulinho saiu, não vingou, e eu voltei com a 9. Aí não deixei mais, sempre 9”.
Em 97, com Valdir usando a 7 e Marques a 9, a dupla conquistou a Copa Centenário de Belo Horizonte e a Copa Conmebol, com Valdir sendo artilheiro das duas competições. Com a chegada de Guilherme, em 99, as camisas se mantiveram e Guilherme também fez sucesso com a camisa 7 ao lado de Marques.
Mais de uma década depois, em 2013, o que começou como uma superstição, virou quase que uma tradição. Diego Tardelli, que já tinha identificação com a 9 do Galo, voltou ao clube e reassumiu a sua numeração. Jô, centroavante, que não chegou a usar a 9 do Atlético, assumiu a camisa 7, que estava vaga e havia sido usada pelos matadores Valdir e Guilherme. Juntos, Jô e Tardelli contribuíram para reforçar a lenda. Dois dos Libertadores do Atlético, Jô foi artilheiro do título, enquanto Tardelli ficou com a vice artilharia, tendo marcado apenas um gol a menos que o companheiro.
Esse e todos os episódios completos do PODFALAGALO estão disponíveis no canal do FalaGalo no YouTube e no serviço de streaming Spotify


