Marques rasga elogios a Guilherme, seu eterno parceiro de ataque
Por: Hugo Fralodeo
Se você já era vivo e torceu pelo Atlético entre o final da década de 90 e o início dos anos 2000, você viu e sorriu muito. Os adversários e quem torcia contra que me desculpem, mas eles sofreram muito com a dupla de ataque do Galo, que infernizava as defesas e ficou no quase no Campeonato Brasileiro por duas vezes. Se você não viu, tenho certeza que alguém já te contou sobre a história que Marques Batista de Abreu e Guilherme de Cássio Alves escreveram com as camisas 9 e 7 do Galo.
Convidado ilustríssimo do PODFALAGALO 008, o ídolo Marques falou um pouco de seu grande amigo e parceiro, relembrou grandes momentos da dupla e fez questão de rasgar elogios ao centroavante.
Confira um pequeno recorte do bate-papo com o ídolo da Massa.
Antes de mais nada, Marques resumiu Guilherme em poucas palavras:
“O Guilherme metia gol, hein!? Putz grila…”.
O camisa 9 relembra quando, à serviço do Atlético, os dois atacantes chegaram a ser convocados juntos para partidas da Seleção Brasileira durante o período entre as copas de 98 e 2002, o que categorizou como um grande feito:
“Imagina, dois “mineiros” de ataque sendo convocados para a Seleção. Esse, de repente, foi o nosso maior feito aqui. Numa época de tanto bairrismo que existia…. E existia mesmo! Dois atletas do Atlético, atacantes, sendo convocados para a Seleção”.
Marques era o garçom, Guilherme o matador. Simples. Quem viu essa dupla jogar sabe da capacidade que eles tinham de se encontrar e se completarem em campo:
“Realmente, a gente fazia muita diferença. A gente tinha o entrosamento no olhar, no entendimento do que você ia executar. O Guilherme foi fantástico! Tenho ótimas lembranças. Assim, quando eu pego alguns vídeos do passado para ver, ele está sempre presente”.
Guilherme fazia gols de qualquer maneira. Golaços como aquela trivela contra o Cobreloa, na Libertadores de 2000, como também no único recurso possível, seja com o peito ou com a barriga. Marques lembra a capacidade goleadora de Guilherme, que, entre outras artilharias, foi o goleador máximo do Brasileirão de 99, com média de gols superior a um por partida:
“Porque também, atacante da qualidade que ele foi, que não precisava de muitas oportunidades, hoje é muito comum você ver um camisa 9 que, para fazer um gol, ele tendo que perder cinco oportunidades. O cara perde cinco chances para fazer um gol, cara! Isso é uma média ridícula. ‘Ah, mas eu fiz meu gol…’ Mas você perdeu cinco! O Guilherme matava o jogo. Muitas vezes com uma única chance na partida. Se ele tivesse duas, era garantido que uma ele ia botar para dentro. Garantido. Em 99, em 28 partidas ele fez 29 gols* (na verdade, 28 gols em 27 jogos), cara… Caraca… Quando entrou o mata-mata, imagina fazer três gols numa final… Ele fez três gols numa final! Contra o Vitória, que foi a semi, ele foi decisivo. Contra o Cruzeiro ele arrebentou, né?! Cara, o Guilherme é ótimo”.
Por fim, Marques – certamente uma das pessoas que melhor conhecia o parceiro, portanto, com lugar de fala -, fala sobre o respeito e carinho que Guilherme teve ao defender o Galo:
“Uma dúvida que a gente não pode ter em qualquer momento, é que o cara vestiu a camisa do Atlético. Ele vestiu com toda a raça, com todo o amor. Quando ele estava no campo, ele chamava a responsabilidade, ele queria a bola, ele queria matar os jogos para nós. Era um cara que brigava no jogo o tempo todo. Que se entregava para honrar a camisa do Atlético”.
Marques e Guilherme atuaram juntos no Atlético por três anos. Do meio de 1999 ao meio de 2002, período da primeira passagem de Guilherme pelo Galo, alem de infernizar defesas e balançar o coração da Massa, os atacantes conquistaram juntos o Campeonato Mineiro de 2000 e levaram o Atlético ao vice campeonato Brasileiro, em 1999, e à semifinal, em 2001. Nesse ínterim, Guilherme foi artilheiro do Brasileiro de 1999, além da Copa Sul-Minas e do Campeonato Mineiro, ambos em 2001. Ambos estiveram na seleção da Bola de Prata de 1999. – Marques também esteve em 2001*
Além disso, Marques é atualmente o 9º maior artilheiro da história do Galo, com 133 gols marcados, enquanto Guilherme ocupa o 7º posto no ranking, com 6 tentos a mais que o eterno parceiro, 139.
Esse e todos os episódios completos do PODFALAGALO estão disponíveis no canal do FalaGalo no YouTube e no serviço de streaming Spotify



