Entrevista com Secretário do Governo – A licitação do Mineirão e o possível rompimento com a Minas Arena
Por: Betinho Marques
Fizemos contato há pouco com o Secretário de Infraestrutura e Mobilidade de Minas Gerais, Fernando Marcato, sobre o possível rompimento unilateral do Governo com a Minas Arena na gestão do Mineirão. Marcato prometeu nos próximos dias explicar no @Falagalo13 sobre a lisura de uma possível licitação.
Ao longo de todo o dia nas redes sociais, após conteúdo publicado pelo Superesportes e assinada por Bruno Furtado, o torcedor atleticano se questionou:
1 – Por que lá atrás, antes de vender parcialmente o Shopping em 2017, nunca o Governo aceitou uma administração conjunta de Atlético e Cruzeiro?
2 – Ronaldo por seu prestígio estaria “seduzindo” o Governo de Minas a entregar o estádio nas mãos do Cruzeiro sem qualquer esforço?
3 – Qual a prerrogativa para finalizar de maneira unilateral um contrato vigente do consórcio Minas Arena ?
4 – O Atlético, clube que mais “rodou” roleta do Mineirão teria sido prejudicado sistematicamente pelas instituições e o Cruzeiro receberia de “graça” uma casa pronta após uma “conversa sedutora” de Ronaldo com o Governador?
Marcato gentilmente atendeu o FalaGalo e se dispôs a explicar os fatos, inclusive, ao vivo nos próximos dias, mas adiantou algumas informações:
“Betinho, como gestor público não posso ter preferências. Quero o bem do Atlético, Cruzeiro, América, Democrata e todos os clubes. Nossa conversa com o Ronaldo era para saber se ele tem interesse em gerir o Mineirão, já que, para nós, para mim, não é concebível ficar aportando dinheiro em futebol. Há hospitais, rodovias e outros tantos problemas a tratar. Queremos deixar de gastar ali, assim como fizemos no Mineirinho, pode ser o Cruzeiro, pode ser o Atlético, pode ser até a própria Minas Arena se ela desejar nesse formato proposto”.
FG – Mas, ao longo do texto criam-se indagações de que, um possível encantamento por Ronaldo tire equidade de tratamentos com os outros clubes. Em um trecho do texto, parece que a preocupação passa por ajudar o Cruzeiro a ter o estádio nas mãos de qualquer jeito. Inclusive, não sendo possível a rescisão unilateral parecia que o Secretário sugeria em alguns momentos, condições para que Ronaldo participasse do quadro societário do Mineirão. Para quem está suando para pagar sem dinheiro público, inclusive com dificuldades para cumprir inúmeras contrapartidas governamentais, um questionamento de que poderia o Estado estar dando uma força desproporcional ao Cruzeiro por um prestígio do seu proprietário foi tônica do dia, como entende isso ?
“Na verdade, Betinho, houve uma confusão na descrição da ordem de relato dos fatos. O que disse, quando fui perguntado, é que há outras maneiras do Cruzeiro ou qualquer clube participar da gestão do estádio se houver um acordo com a administração atual e, nesse caso, não haveria a rescisão com a Minas Arena, seria outra condição. No entanto, não é o meu papel, o que preciso como gestor do governo é não gastar recursos da população de forma que não concordamos e, fazê-lo com estádio para nós não é prioridade. Quem quiser, se interessar e pagar, por exemplo, por uma concessão de 50 anos, pagará o equivalente à indenização do administrador atual. Faremos os cálculos e não colocaremos dinheiro no negócio. No momento, o governo paga. A proposta é indenizar o consórcio atual e quem quiser administrar que gastará lá para manter, com seus recursos, assim como faz o Atlético no seu empreendimento. “
FG – Sobre a rescisão unilateral, qual a prerrogativa para fazê-la?
“A Lei 8987 (Dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos previsto no art. 175 da Constituição Federal, e dá outras providências) permite que o gestor público rescinda o contrato unilateralmente, claro, mas para isso precisamos indenizar o gestor atual. A conversa com o Ronaldo foi simplesmente para saber se ele se interessava pela possibilidade de participar da licitação para este formato de administrar o Mineirão que propomos. Não queremos nada além do que parar de pagar por estes valores (até 2037). Claro, os valores cairão a partir do ano que vem (de cerca de R$ 10 milhões para R$ 3,5 milhões mensais). Não há privilégio, quem quiser poderá participar do processo, inclusive o Atlético. Nos próximos dias darei entrevistas a vários meios de comunicação para explicar o que for necessário e nos fazer entender.