Preto no Branco: O Atlético não precisa de inimigos
Por: Max Pereira (@Pretono46871088@ MaxGuaramax2012)
O Atlético vem jogando muito mal. Jogo coletivo inexistente. Defesa batendo cabeça no jogo aéreo. Time muito espaçado, lento, burocrático e, como vem acontecendo nesta temporada, sem energia, sem inspiração, sem volúpia, sem alegria. Transição inexistente. Independentemente de quem é escalado, jogo sim, outro também, os homens de meio de campo não conseguem se ajustar e os laterais, irregulares, alternam bons e maus momentos. Os homens de frente, geralmente três, inteiramente desconectados e descoordenados entre si, incomodam pouco as defesas adversárias e, quando conseguem finalizar, o fazem de forma bastante deficiente.
E, diante de adversários normalmente melhor treinados, com as linhas bem próximas com e sem a bola, com seus jogadores jogando de forma coordenada, os fiascos atleticanos vêm ocorrendo naturalmente e sem surpresa alguma. Disputar a Libertadores na próxima temporada é hoje algo bem distante, quase irrealizável. Nesse cenário, os recorrentes erros da arbitragem contra o Atlético acabam sendo normalizados e a tragédia atleticana se consuma. Foi assim nesse último jogo contra o América, tem sido assim praticamente nesse triste ano de 2022. E nem sempre Everson consegue salvar o Atlético de uma derrota líquida e certa.
O companheiro Betinho Marques em seu Twitter disse com absurda propriedade que “tem muita coisa importante para fazer em 2022 para não quebrar o 2023”. Mas, mudar o elenco radicalmente como o Atlético, segundo as notícias que estão pululando nas redes sociais e nas mídias alternativa e convencional, ameaça fazer será, de fato, a melhor solução para resgatar o bom futebol do time atleticano?
Aos poucos a torcida começa a perceber que o que o Atlético está fazendo com o Vargas, assim como fez com Savarino e Diego Costa, só contribui para minar de vez o ambiente interno e o rendimento do time. Quem conhece o mundo da bola sabe que para perder um vestiário é muito fácil, enquanto mantê-lo e administrá-lo com proficiência é tarefa para poucos. Não é difícil compreender porque os próceres atleticanos e Cuca claramente perderam o vestiário e porque o Turco, apesar de querido e respeitado pelo elenco, viu o seu trabalho ruir estrondosamente.
O Atlético se tornou uma fonte indesejável de notícias desencontradas que só tumultuam mais e mais o ambiente porquanto não só os jogadores perdem de vez a confiança no comando, quanto a massa se impacienta e passa a cobrar quase sempre de forma inadequada atingindo alvos errados. E não há como culpar exclusivamente nenhum veículo de qualquer mídia e nenhum perfil das redes sociais, vez que é o clube a origem desse disse me disse corrosivo. Enquanto treinador, dirigentes e a comunicação institucional do clube não alinharem o seu discurso e não pararem de alimentar esse clima hostil contra esse ou aquele jogador como Vargas, o bode expiatório da vez, não há como se exigir nada do time atleticano.
E se é preciso ir a fundo à raiz dos problemas do Atlético dentro de campo, fora das quatro linhas não é diferente. Para um clube que bateu todos os recordes de premiações em 2021 e terminou aquela temporada com superávit orçamentário, reconheceu publicamente e comemorou recordes de receita de patrocínio e de sócios torcedores, vendeu cerca de 10 jogadores arrecadando como o próprio clube anunciou perto de 160 milhões e vendeu os 49,9% restantes do Shopping por 340 milhões este clima de insolvência alimentado pelo clube e essa sensação de corda no pescoço além de bastante estranhos, também contribuem para corroer o ambiente interno.
A informação de que o Atlético continua se endividando de forma crescente para pagar o operacional assusta e carece de explicações. Se o clube está rolando as dívidas onerosas de curto prazo, trocando-as por dívidas de longo prazo com juros menores, e isso justifica os recorrentes empréstimos reconhecidos publicamente, porque essa sensação de corda no pescoço?
Que o clube deve muito, que tem que equilibrar as sua contas, maximizar e diversificar as suas receitas, eliminar gastos supérfluos e desnecessários, administrar as suas dívidas onerosas de curto prazo, adotar uma política prudente e inteligente para contratar e manter um elenco de alto nível parece óbvio e dispensa maiores explicações. Mas, esse clima de bancarrota, de ruína total que está sendo vendido aqui e ali é tóxico e destrutivo, com porquanto produz consequências nocivas não só internamente, mas também externamente. Perder parceiros importantes, ver o valor de mercado de seu elenco despencar, fazer maus negócios premido pela pressão dos credores, se tornar refém de maus investidores, perder o respeito e ver a sua desimportância política no contexto do futebol brasileiro explodir são consequências inevitáveis desse momento turbulento do clube.
Aqui é preciso entender que jogar junto com o Atlético nesse momento é produzir criticas responsáveis e construtivas e cobrar com diligência, parcimônia e muita responsabilidade. O verdadeiro amigo é aquele que, nos seus maus momentos, não lhe dá tapinha nas costas e nem passa pano. É aquele que o chama à razão, aponta os erros e está sempre ao seu lado para lhe ajudar a se erguer. Enfim, é preciso que tanto o torcedor, como aqueles que hoje conduzem os destinos do clube, entendam que estar ao lado do Atlético, defendê-lo e jogar junto, não significa estar contra A ou B, não é denegrir a honra de ninguém e, muito menos, fazer de quem quer que seja um inimigo.
O Atlético não precisa de mais inimigos. Também não precisa que continuemos a dar munição aos inimigos de sempre. O Atlético precisa que todos aqueles que o amam, torcedores, dirigentes, funcionários e atletas, joguem juntos. E para jogar junto nesse momento é imprescindível fazer ajustes e correções de rota, antes que o comboio atleticano descarrilhe de vez e se precipite no abismo sem fundo.
*O TEXTO NÃO REFLETE O PENSAMENTO DO PORTAL FALA GALO*