Por: Angel Baldo
Foto: Pedro Souza / Agência Atlético
A tarde deste domingo (10/5) na Arena MRV foi desenhada para ser um capítulo histórico de gratidão e reverência. No entanto, o que se viu na casa do Atlético foi um cenário de dualidade extrema: enquanto o gramado transbordava idolatria por Hulk, as arquibancadas ecoavam uma insatisfação profunda direcionada à cúpula administrativa do clube.
A DESPEDIDA DE UM SUPER-HERÓI
Desde as primeiras horas do pré-jogo, o clima era de celebração ao legado do camisa 7. O Atlético não poupou esforços para homenagear aquele que se tornou o maior símbolo de uma era vitoriosa. O telão da Arena exibia momentos icônicos, enquanto quizes interagiam com os torcedores, que empunhavam milhares de faixas com os dizeres: “Obrigado, Hulk!”.
A entrada do atacante foi digna de um roteiro de cinema. Sob uma densa fumaça verde — referência direta ao herói da Marvel que lhe dá o apelido — Hulk pisou no gramado ovacionado. O setor Inter Leste revelou um enorme tifo com imagens marcantes de sua trajetória e a frase “ObriGalo, Hulk!”, consolidando o laço eterno entre o paraibano e a massa atleticana.
No centro do campo, cercado pelos troféus que ajudou a conquistar, o jogador de 40 anos recebeu uma camisa comemorativa e uma placa das mãos da diretoria. Em um discurso breve e emocionado, Hulk se despediu antes de passar por um corredor formado por bandeirões das organizadas, retribuindo o carinho ao arremessar camisas para o público.
O ALVO DO DESCONTENTAMENTO: A FAMÍLIA MENIN
Entretanto, a harmonia foi interrompida de forma abrupta assim que o ídolo deixou o campo. Assim que o “escudo” emocional representado por Hulk saiu de cena, o foco da torcida mudou drasticamente de direção.
O coro de “Hulk! Hulk! Hulk!” deu lugar a xingamentos pesados contra a família Menin. Rubens e Rafael Menin, principais acionistas da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Galo, foram o alvo de protestos generalizados. Embora os gritos não especificassem se as ofensas eram direcionadas ao pai ou ao filho, o recado foi claro: há uma ruptura de confiança ou um descontentamento latente com os rumos da gestão financeira e esportiva do clube.
A manifestação ocorre em um momento delicado. Se por um lado a SAF trouxe fôlego financeiro e investimentos em infraestrutura, por outro, parte da torcida parece questionar as decisões estratégicas e a autonomia do clube sob o novo modelo de gestão.