Coluna do torcedor: desabafo (lê quem quer…)
Por: Mariana Capachi Nogueira Soares
Foto: Pedro Souza
Estão matando a alma dos verdadeiros atleticanos. Eu estou tão desgostosa… e não é por perder títulos. Posso ir para o Marrocos, para o Paraguai, para onde for… perder faz parte. O que não faz parte é ver jogador sem raça. É ver a nossa torcida ser engolida pela adversária. É ver o atleticano deixar de fazer do Galo prioridade.
Aquela lógica do “hoje não posso, tem jogo do Galo”. Aquela coisa de: “vai ter o casamento de fulano? Eu vou, mas saio tal hora porque tem jogo do Galo”.
Essa parte da torcida está morrendo. Está sendo chacinada. E os assassinos, mesmo com a cara estampada em todas as manchetes, seguem impunes — como se a morte da nossa identidade fosse só mais um cifrão em um cofre de banco.
E eu estou aqui, assistindo os últimos sobreviventes tentando respirar, mas faltando oxigênio.
E, aos poucos, já começo eu mesma a sentir falta de ar — como se estivesse vendo, de camarote, a asfixia de tudo que sempre nos fez existir.
E o pior é que isso não acontece de uma hora pra outra. É um desmonte emocional silencioso. É como se fossem arrancando, aos poucos, aquilo que sempre nos fez diferentes: a raça, o pertencimento, a paixão que não negocia horário, clima ou circunstância.
O atleticano nunca foi número, nunca foi consumidor. O atleticano sempre foi povo, sempre foi rua, sempre foi pulmão. E agora querem transformar tudo em plateia passiva, em torcida treinada, em gente que bate palma na hora certa e vai embora calada quando mandam.
Só que o Galo não nasceu para ser domesticado.
A gente é forjado no barulho, no improviso, na teimosia que risca calendário para caber jogo. O Galo é aquela fé que ninguém explica, aquele grito que sai sozinho, aquela lágrima que escorre mesmo quando a gente finge que não.
E por isso dói tanto ver o que estão fazendo.
Dói ver a arquibancada virar decoração.
Dói ver jogador entrar em campo sem carregar a história nas costas.
Dói ver gente que sempre viveu o clube agora se sentindo estrangeira dentro da própria casa.
Mas o que eles esquecem – ou nunca souberam – é que a alma atleticana não desaparece. Ela pode apanhar, pode sufocar, pode ficar de joelhos… mas ela não se rende. Nunca se rendeu.
E se hoje estamos vendo os últimos sobreviventes tentando respirar, amanhã pode ter certeza: seremos nós mesmos que vamos devolver o ar.
Porque se tem uma coisa que o Galo ensinou pra gente, é que ninguém mata o que já nasceu imortal.