Raio-X: análise completa de Atlético e Lanús antes da final da Sul-Americana

Raio-X: análise completa de Atlético e Lanús antes da final da Sul-Americana

Foto: Reprodução / Fala Galo

Por: Thiago Florêncio

A final é logo ali! Atlético e Lanús fazem, neste sábado (22), às 17h a grande final da CONMEBOL Sul-Americana, no estádio Defensores del Chaco, em Assunção, no Paraguai. O estádio já foi palco de uma decisão envolvendo o Atlético. Em 2013, o Galo fez o primeiro jogo da final da Libertadores daquele ano, contra o Olímpia. Confira a partir de agora, todos os detalhes das equipes. Como chegam para esta final, quem são os principais jogadores, como jogam e outras curiosidades. 

Como chega o Atlético?

Em sua décima participação na Sul-Americana, o Atlético chega pela primeira vez à final. Antes, o melhor resultado havia sido a semifinal de 2019, quando caiu para o Colón. O ano de 2025 para o Galo vem sendo marcado por oscilações e retomada de rendimento desde a chegada do técnico Jorge Sampaoli. Antes da decisão, o time viveu uma semana de instabilidade, com sete gols sofridos em três jogos, e perdeu para o Bragantino por 2 a 0 pelo Brasileirão, em Bragança Paulista. Mesmo assim, ganhou consistência tática e física nos últimos meses, apesar das ausências de jogadores importantes como Lyanco e Cuello. 

Quem são os destaques alvinegros? 

O elenco chega à final apoiado em líderes técnicos que influenciaram o desempenho ao longo da competição. A seguir, alguns dos principais nomes dessa caminhada.

Quem são os destaques do elenco atleticano? 

Everson (Goleiro)

Everson, de 35 anos, completa cinco temporadas pelo Atlético e tornou-se referência na posição. A qualidade com os pés o transforma em peça relevante na construção das jogadas. Ele participa da saída de bola, acelera contra-ataques e orienta a defesa. Mantém regularidade e raramente fica fora de jogos. Na fase mata-mata, teve papel fundamental: defendeu dois pênaltis contra o Atlético Bucaramanga e converteu a última cobrança que levou o clube às oitavas. O desempenho consolidou sua importância na campanha.

Alan Franco (Meio-campo)

O equatoriano de 27 anos é um dos pilares de Sampaoli. Atua em várias funções. Pode ser primeiro volante, meia da direita ou até ala, de acordo com a necessidade. No Atlético, Franco trabalha mais recuado, dando sustentação à defesa e recuperando bolas. Consegue acelerar jogadas, conduz bem e tem leitura para cobrir espaços. O papel tático é “silencioso”, mas vital para a estrutura do time.

Gustavo Scarpa (Meio-campo)

Scarpa alternou altos e baixos na temporada, mas recuperou protagonismo com Sampaoli. Ele não é o meia clássico centralizado. Transita entre o corredor direito e o meio, participa da criação e acerta passes longos que quebram linhas. Como ala-direito, equilibra o sistema, ajuda na recomposição e organiza a saída em velocidade. Sua jogada mais comum é cortar da direita para dentro, finalizando colocado ou encontrando passes que abrem defesas. Nas bolas paradas, entrega cruzamentos precisos e mantém alto índice de acerto.

Dudu (Atacante)

Dudu chegou sob desconfiança por vir do maior rival. A suspensão no início da passagem dificultou a adaptação. Com Sampaoli, reencontrou espaço e sequência. Aos 33 anos, ainda apresenta velocidade e boa capacidade no um contra um. Atua pelos lados ou centralizado, como segundo atacante. Busca jogadas de infiltração, corta para o meio e finaliza. Cresceu nas partidas decisivas e tende a ser peça importante na final.

Hulk (Atacante)

Hulk mantém relevância mesmo após o primeiro período de oscilação desde que chegou ao clube. Chegou a ser reserva, mas recuperou confiança com o gol marcado na semifinal contra o Independiente del Valle. Desde então, voltou a atuar com intensidade. Aos 39 anos, ainda mostra força física e participa das construções quando recua para ajudar. Continua com um dos chutes mais potentes do futebol brasileiro. É o maior artilheiro do clube no século XXI e o nono da história, com 134 gols. Na Sul-Americana, lidera o time com quatro gols.

O treinador

Conheça o técnico Jorge Sampaoli

Foto: Pedro Souza / Atlético

Jorge Sampaoli assumiu o Atlético em momento de instabilidade e, em poucas semanas, reorganizou o time. O treinador construiu carreira influenciado por Marcelo Bielsa e ganhou projeção sendo treinador da Universidad de Chile, levando a LaU à conquista da Sul-Americana de 2011. Além disso, comandou a seleção chilena, campeã da Copa América de 2015. Depois disso, passou por Sevilla, Seleção Argentina, Santos, Olympique de Marseille, Rennes e Flamengo, sempre com propostas de jogo marcadas pela pressão alta, triangulações rápidas e domínio territorial.

O sistema de jogo atleticano

Com a bola, Sampaoli organiza o time em um 3-4-2-1 que, em muitos momentos, se transforma em um 3-2-5. Os alas avançam e ocupam os lados do campo, enquanto os meias atacam os espaços entre as linhas. A equipe dá amplitude e acelera as ações ofensivas.

Sem a bola, recua para um 5-4-1, com blocos compactos e pressão sobre o portador da bola. Os alas retornam e formam linha de cinco, deixando o time mais sólido. A marcação alta é característica marcante desde a chegada de Sampaoli. Os defensores atuam adiantados, próximos à intermediária adversária, para recuperar a posse ainda no campo ofensivo.

Esse “novo” estilo do técnico argentino leva o time a transições mais rápidas e maior verticalidade. O Atlético cria chances com intensidade e tenta sempre recuperar a bola em poucos segundos.

A campanha até a final

Na fase de grupos, o time esteve no Grupo H, ao lado de Cienciano, Caracas e Deportes Iquique. Fez campanha irregular, com duas vitórias, três empates e uma derrota. Somou nove pontos e terminou em segundo lugar, o que levou o clube aos playoffs.

Nos playoffs, enfrentou o Atlético Bucaramanga. Venceu por 1 a 0 fora e perdeu pelo mesmo placar em casa. A classificação veio nos pênaltis, com protagonismo de Everson. Nas oitavas, encarou o Godoy Cruz e venceu ambos os jogos. Nas quartas, enfrentou o Bolívar na altitude de La Paz, empatou fora e venceu por 1 a 0 em Belo Horizonte.

 

A semifinal foi contra o Independiente del Valle, bicampeão do torneio. No Equador, empate por 1 a 1. Na Arena MRV, vitória por 3 a 1, na melhor atuação da equipe na competição. No total, o Atlético marcou 22 gols e sofreu 12. Hulk é o artilheiro do time no torneio.

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Como chega o Lanús?

O Lanús chega à final com elenco experiente, liderado por nomes conhecidos no continente. A equipe mantém uma base sólida desde o início do ano. No campeonato argentino, está na segunda colocação do grupo B, no Clausura, com 30 pontos. Vem de vitória na sexta-feira passada, por 3 a 1, em casa, contra o Atlético Tucumán. O fator casa, inclusive, tem sido fator determinante. A última vez que os Granate foram derrotados no La Fortaleza foi no dia 19 de julho, no confronto contra o Rosário Central. De lá para cá foram 10 vitórias e 1 empate. 

Quais são os destaques do elenco Granate? 

O time argentino tem boas peças em seu elenco, mas depende bastante dos jogadores mais experientes. Confira quem são os destaque deste elenco. 

Quem são os destaques do elenco granate? 

Carlos Izquierdoz (Zagueiro) 

O capitão da equipe. Aos 37 anos, Izquierdoz soma 195 partidas pelo clube, com dez gols e duas assistências. A trajetória inclui passagens por Boca Juniors, Real Sporting e futebol mexicano. No Lanús, exerce papel central na defesa e nas bolas paradas. A experiência compensa a perda de velocidade, ponto explorado por adversários, mas ainda se destaca pelo jogo aéreo e pela liderança em campo.

Sasha Marcich (Lateral-esquerdo)

Marcich se tornou uma das surpresas da campanha dos Granate. Ele atua pelo lado esquerdo, avança com frequência e produz jogadas que resultam em cruzamentos perigosos. Também finaliza de média distância com consistência. Nesta edição do torneio, ganhou protagonismo técnico e deve encerrar a competição como o melhor lateral-esquerdo da Sul-Americana.

Marcelino Moreno (Meio-campo)

Marcelino Moreno, de 30 anos, teve passagem apagada no futebol brasileiro pelo Coritiba. Ele participa de várias fases da construção ofensiva. Soma 206 jogos pelo Lanús, com 27 gols e 39 assistências. Nesta Sul-Americana, marcou três gols e deu três passes decisivos em dez atuações. Atua aberto ou centralizado, circula pelo setor ofensivo e ajuda na recomposição quando a equipe sofre pressão. Tem visão de jogo e conduz a bola com facilidade, tornando-se uma alternativa para organizar contra-ataques.

Eduardo Salvio (Meio-campo / Ponta direita)

Eduardo Salvio é peça-chave pela direita. O meia-atacante, conhecido como Toto Salvio, tem 266 partidas pelo clube, com 62 gols e 56 assistências. Aos 35 anos, mantém intensidade, busca a finalização e assume o protagonismo em momentos decisivos. Já atuou no Atlético de Madrid, Benfica e Boca Juniors. Hoje, é quem dita o ritmo das jogadas pelo lado direito e uma das principais armas nas transições.

Rodrigo Castillo (Atacante)

O grandalhão Rodrigo Castillo, de 26 anos, atua na zona central e se movimenta entre os zagueiros. Não tem refinamento técnico, mas protege bem a bola e funciona como pivô. Pressiona a saída adversária e cria desconforto para defensores. Sua principal lacuna é a finalização, ponto que a equipe tenta suprir com aproximações de Salvio e Marcelino Moreno.

O treinador

Conheça o técnico Mauricio Pellegrino.

               Foto:  Reprodução / Site Oficial Lanús

Mauricio Pellegrino conduz o Lanús em temporada de reconstrução. Ex-zagueiro, teve carreira marcada por passagens por Vélez Sarsfield, Barcelona, Valencia e Liverpool. Começou a trajetória como técnico no próprio Valencia, depois dirigiu Estudiantes, Independiente, Alavés, Southampton, Leganés, Vélez Sarsfield e Universidad de Chile. Tem por característica o estilo pragmático, com foco no encaixe defensivo e nas transições curtas.

Como joga o Lanús?

O sistema principal é o 4-2-3-1. A equipe abdica da posse e arma bloco baixo ou médio para reduzir espaços. A estrutura defensiva é rígida, com dois volantes alinhados à frente da zaga. As ações ofensivas surgem, sobretudo, pelo lado direito, quase sempre iniciadas por Salvio.

O contra-ataque é a principal estratégia. O time aproveita os erros dos adversários, acelera a transição e tenta concluir com poucos toques. Em vários momentos da competição, decidiu partidas nos minutos finais, sustentando fama de equipe resiliente. A execução depende de boas atuações de Marcelino Moreno e Toto Salvio, responsáveis por criar vantagem numérica no campo rival.

A campanha dos argentinos até a decisão

O clube argentino liderou o Grupo G, que tinha Vasco, Melgar e Academia Puerto Cabello. Somou 12 pontos e sofreu apenas quatro gols. Demonstrou solidez defensiva e eficiência ofensiva, com vitórias importantes em casa.

Nas oitavas, enfrentou o Central Córdoba. Perdeu o primeiro jogo, fora de casa, e avançou após decisão por pênaltis no duelo de volta. Nas quartas, encarou o Fluminense. Venceu em casa e segurou empate por 1 a 1 no Maracanã, garantindo vaga entre os quatro melhores.

A semifinal foi contra a Universidad de Chile. No primeiro confronto, em Santiago, houve empate. No jogo em La Fortaleza, o Lanús venceu por 1 a 0 em partida marcada por lances contestados e forte pressão da equipe chilena. O resultado confirmou a presença na final. Esta será a terceira decisão do clube na Sul-Americana. Em 2013, venceu a Ponte Preta, e em 2020, perdeu para o Defensa y Justicia.


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